A derrota do feminismo no Facebook – por Katie Roiphe

A derrota do feminismo no Facebook
por Katie Roiphe

Betty Friedan

 

Se, do além-túmulo, Betty Friedan fosse analisar como as mulheres acima dos 30 se comportam no Facebook, temo que ficaria muito decepcionada conosco. Eu me refiro especificamente à tendência de as mulheres usarem fotos de seus filhos em vez de suas próprias nos perfis do Facebook. Você clica no nome de uma amiga e o que aparece na tela não é o rosto dela, mas a foto de uma lourinha de quatro anos dormindo ou de um garoto de boné, correndo na praia. Inofensivamente embutido em um dos nossos métodos preferidos de procrastinação está um poderoso símbolo do novo século. Onde foram parar todas essas mulheres? Um historiador perspicaz pode muito bem perguntar no futuro: o que todas essas crianças em nossas páginas do Facebook dizem sobre “a construção da identidade de mulher” nesse momento específico?

Muitas dessas mulheres trabalham. Muitas fazem parte de clubes de leitura. Muitas são militantes de determinada causa ou têm interesses que vão além de suas casas. Mas é assim que elas preferem se representar. Essa opção pode parecer trivial, mas a ideia do Facebook é criar uma persona social, uma imagem de quem você é projetada em centenas de quartos, cafés e escritórios em todo o país. Por que então essa imagem seria a de qualquer outra pessoa, não importa o quão ligada ela seja a você, geneticamente ou por qualquer outro laço? Essa escolha parece um retrocesso a uma velha forma de identidade, a uma época em que mulheres eram chamadas de “Senhora John Smith”, em que meninas saudáveis saídas de Vassar enlouqueciam entre aspiradores de pó e caixas de areia. Não que eu não entenda a tentação de botar no Facebook fotos de seus lindos filhos. Eu entendo. Afinal, assim ficamos livres do peso de nos arrumar para aparecer minimamente decentes numa foto e sobretudo nos livramos de todo o trabalho excruciante que envolve sermos nós mesmas. E seu filho de três anos gosta de posar para a câmera. Mas mesmo assim.

Essas fotos do Facebook sinalizam um autoapagamento mais amplo e ameaçador, um estreitamento de horizonte. Lembre de um jantar ao qual você foi há pouco tempo, e de sua amiga, que na faculdade escreveu um trabalho de conclusão de curso sobre Proust, a mesma que aos 20 anos bebia até as cinco da manhã, uma mulher brilhante e bem-sucedida. Lembre de como, durante todo o jantar, das azeitonas à musse de chocolate, ela só falou dos filhos. Você foi paciente, e porque você ama essa mulher ficou esperando que ela conversasse sobre… o quê? Um livro? Um filme? O noticiário? É verdade que ela fala sobre os filhos com riqueza de detalhes e impressiona pelo rigor, profundidade analítica e graça com que trata o tema; ela poderia mesmo, é inevitável pensar, escrever toda uma dissertação sobre o efeito preciso do estilo pedagógico de um determinado professor sobre seu filho de quatro anos. Mas mesmo assim. Você percebe que do outro lado da mesa, um lado mais animado, estão os homens, falando sobre algo que não são modelos de carrinhos de bebê. Esta cena poderia estar num romance de Jane Austen ou Anthony Trollope, em que os homens se retiram para uma outra sala para beber brandy e falar sobre política ou os acontecimentos recentes. E você volta a prestar atenção na conversa, e a mulher está contando como prepara a merenda do filho. Todas nós, em algum momento, somos esta mulher? É claro que não há nada de errado com um pouco desse papo de criancinha. Mas não chega uma hora em que nos interessamos, também, por outra coisa?

O mistério é que a mulher que botou a criança em seu lugar no Facebook certamente foi leitora de A mística feminina, O segundo sexo e O mito da beleza e dos blogs Double X ou Jezebel. Está em dia com o papo-cabeça sobre em qual onda do feminismo nos encontramos. E ainda assim assimila com naturalidade esse tipo de apagamento, essa voluntária perda de identidade. Parece dizer: aqui está minha família feliz, nada mais me importa.

A filha de uma amiga usou durante muito tempo aqueles tênis que apitam. Para um adulto, era inacreditavelmente insuportável o barulho que faziam a cada passo da menina. Uma vez perguntei à minha amiga por que ela não proibia os tais tênis, e ela respondeu: “Porque ela gosta deles!”. Imagine fazer parte dessa nova geração, descobrindo a cada alegre apitada de seus tênis que Galileu estava errado: é você, e não o sol, o centro do universo!

Não posso deixar de pensar que nossos pais jamais teriam suportado tênis que apitam ou conversas que giram inteiramente em torno de crianças. Eles nos amavam tanto quanto amamos nossos filhos, mas, até onde me lembro, tinham suas próprias vidas, e nós brincávamos em torno delas. Eles não planejavam fins de semana inteiramente em torno de teatro infantil, aulas de arte para crianças, aulas de piano e festinhas de aniversário. Por que, muitos de nós nos perguntamos, nossos filhos não brincam sozinhos? Por que eles não têm a vida interior que, ainda vagamente, lembramos ter em nossas próprias infâncias? A resposta parece óbvia: porque, cheios de boas intenções, nos devotamos excessivamente à educação, ao entretenimento e à formação em geral de nossos filhos. Porque deixamos de lado a ideia de uma vida adulta independente, por não permitirmos que nossos filhos imaginem um lugar para si em seus quartos, no tapete ou no jardim; em suma, por não permitirmos que tenham uma vida própria.

É claro que o Facebook passa pelo exibicionismo: é uma forma de transformar em espetáculo a sua vida, ou pelo menos a parte dela que você escolhe para mostrar ao mundo lá fora. Os filhos são uma importante realização na vida de alguém e, indiscutivelmente, a mais importante realização – o que não significa que eles sejam quem você é. Pode-se argumentar, é claro, que a vaidade das novas gerações representa um tipo de narcisismo ainda pior e mais sinistro, com as postagens sobre o tipo de chá que estão bebendo. Mas essa forma específica de narcisismo, a exposição destes querubins para criar uma imagem do eu, é para mim mais perturbadora pela verdade que revela. A mensagem subliminar é clara: Eu sou os meus filhos.

O Facebook sem dúvida facilitou a vida dos mais jovens, pois favorece naturalmente a aproximação de quem não se conhece em festas ou a paquera nos bares. É também perturbadora na troca das fotos dos perfis a clara e deliberada subversão dessa finalidade: essa geração abre mão da própria sexualidade ao substituir o rosto de uma mãe atraente pelo de uma criança inocente. Essa atitude sinaliza um incômodo em ter um mínimo de vaidade. Assim como só usar tênis ou esquecer de cortar o cabelo, essa é uma forma de se tornar desajeitada e invisível, refletindo uma espécie de mommy culture em que é ponto de honra mostrar quão pouco resta em você de uma mulher saudável, articulada, engajada e bem-vestida.

E se as páginas do Facebook forem apenas o começo? E se depois vierem os passaportes e as carteiras de motorista? E se subitamente as caras de uma geração desaparecerem e bebês radiantes tomarem seus lugares? Quem ficará de luto por essas mulheres desaparecidas? Quando Betty Friedan descansará em paz?

 

KATIE ROIPHE (1968) é escritora, jornalista e professora da New York University. Publicou quatro livros de não ficção, dentre eles The morning after: sex, fear and feminism on campus, e o romance Still she haunts me, inspirado na relação entre Lewis Carroll e Alice Lidell. Este artigo faz parte da antologia In praise of messy lives (2012) e foi cedido pela autora para publicação no blog da serrote.

 

Tradução de Paulo Roberto Pires.

 

Leia também:
O elogio do desconforto, sobre Katie Roiphe, por Paulo Roberto Pires
“Se o que escreve desagrada tanto aos bem-pensantes é porque ela deve ter alguma razão: a seus olhos, vivemos hoje a revanche da convenção, da previsibilidade e da caretice sobre a experimentação, o excesso e a incerteza.”

 

 

169 respostas a A derrota do feminismo no Facebook – por Katie Roiphe

  1. Raquel Cristina Galvão disse:

    HAHAHAH Utilizei uma foto de minha filha no meu perfil; por pouco tempo, em seguida troquei. Tive medo da super exposição dela. Entretanto fiz isto pelo SIMPLES fato de querer divulgar a BELEZA! SEM MAIS

    • Raquel Cristina Galvão… é justamente sobre isso que a autora está falando… mas que bom que logo depois, vc resolveu divulgar a SUA beleza, e não delegar essa responsabilidade a sua filha…

      • Euler Martins Lage disse:

        No meu perfil do facebook agora tem uma foto do meu filho. Em uma busca rápida, não achei nenhum comentário na internet condenando isto. Pelo que entendi do texto acima e desta pequena pesquisa, eu posso fazer isto porque sou homem. Macho pode, mulher não.
        Este texto da Katie Roiphe é reacionário demais!!!! Parece aqueles manuais da década de 50 que falavam como as mulheres deviam se portar. Será que as mulheres foram tão orpimidas desde o fim dos matriarcados que precisam de alguém diga a elas o que pensar e o que fazer? Deixem as mulheres serem livres!!!! A luta das feministas foi para chegar hoje e falar como que deve ser o perfil feminino de vanguarda no facebook?
        A foto de um filho no perfil do facebook pode significar muitas coisas, inclusive a anulação da personalidade de quem colocou, mas esta generalização absurda que os americanos amam fazer na área de humanas é, neste caso, mais um fardo para as mulheres carregarem.

        • Roberta de Queiroz disse:

          Excelente!! Concordo plenamente! Tenho filhos, nunca coloquei fotos deles no PERFIL, mas concordo com vc!! É isso aí 😉

        • Infértil disse:

          Bela análise, Euler.

          Me pergunto se essa senhora tem filhas e filhos..

        • Amanda disse:

          Concordo plenamente com vc Euler. Que saco! E, além do mais, não falo especificamente por mim, mas em quê a foto do facebook define quem a pessoa é? Ah, fala sério! E tem mais uma coisa, acho tão machista e desmerecedor definir que o papel sócio-econômico-político da mulher é ser “ativa” no mundo intelectual-acadêmico-whatever, quanto é determinar que lugar de mulher é dentro de casa. Acho tão machista e capitalista a ideia de que só tem valor quem está no mercado de trabalho, de que ser mãe e cuidar da casa é algo de menor valor e importância. Deixe cada um com seu papel e potencialidades. Ninguém deve ser escravo de nada, muito menos de ideologia.

        • ana disse:

          ótima observação. Se hj estamos fugindo de determinados padrões ultrapassados pq seguir este manual de conduta feminina? Meu álbum está repleto de fotos do meu FILHO e não as tirarei, elas representam o orgulho imenso que tenho dele, e do meu maternar. expressa sim minha personalidade, hj sou mãe, mais uma de minhas facetas. Retrocesso é achar que filho é “qq pessoa ligada a vc”. Com certeza essa pessoa não tem e não sabe o que é ter um filho.

          • lola disse:

            Entendo seu orgulho de mãe, mas concordo com o texto. Querendo-se admitir ou não, há uma anulação da mulher ao se tornar mãe.
            Também tenho amigas que um dia foram inteligentes e conseguiam articular frases que não continham as palavras “meu filho/minha filha” e/ou qualquer coisa ligada á criança. E acho ainda pior quando colocam-se num patamar claramente inexistente de superioridade pelo simples fato de terem filhos.

        • Godinho disse:

          Até concordo com você, Euler, mas acho que o texto pode servir com um alerta. Mãe e mulher, SERÁ que você está se anulando?

          Se não estiver, ok, pode colocar até foto do seu gato ou do parceiro S&M.

          Há um certo exagero nessa crítica a quem critica. “Ah, eu não posso fazer mais nada”. Ninguém colocou uma arma na cabeça de ninguém. A mulher fez um texto e é óbvio que muita gente se encaixa nele – porque se anula.
          Se a mulher leu e se garante, maravilha. Pula pra outro texto.

        • Leila Guimarães disse:

          Vc é bem limitado. Sua argumentação é infantil, e me fez pensar o quão difícil é escreve e focar em um tema para um publico tão limitado. Antes de procurar uma terapia, leia mais. Ambos lhe farão im bem danado.

      • Raquel Cristina Galvão disse:

        Quando?

        • Maria de Lourdes disse:

          Li, entendi, concordo que o Face é uma ferramenta para estarmos ligados uns nos outros, comunicando-nos humanamente. Quanto a filhos, (“meu filho”), não são posse nossa. Eles são filhos de nós. Saíram de nós, de nossos corpos materiais e do âmago da nossa aceitação interna – quando os carregamos no nosso ventre estamos tendo uma ligação inexplicável, até para os filhos tidos como indesejáveis no momento, logo nas primeiras manifestações de sua presença ali, desenvolve-se um sentimento de amor, cuidado, zelo, mas certas (ou não), estamos preparando-os para sua individualidade. Mas… o texto se refere especificamente a postagem de fotos e demonstrações que fujam ao propósito. Estamos deixando ali algo nosso, de nós, por nós, para nós e para os que ali estão contracenando conosco, uns com os outros. Uma lida foto agrada aos olhos de quem a vê ligeiramente, mas se é uma de nós mesmas, (pode ser com “um barrigão”,está passando para o outro: ela vai ser mãe!), está passando a mensagem que estamos ali para nossos amigos, doando nossa alegria para o outro. A atitude de expor uma foto de um neto pode constrangê-lo!
          Estes outros comentários, cada um passa o que é, como vê o que está em sua volta, dirigindo seu olhar para os pés… desculpem se estou sendo grosseira, depois de fazer esta explanação, creio aceita por muitos, mulheres e homens com visão mas ampla que não seja discordar de um texto e ainda fazer colocação minimamente sem nexo…

  2. Joy disse:

    Querer impor a uma mulher qual foto ela tem que colocar no facebook é feminismo? kkk Tá, tá da Veja mas …. http://veja.abril.com.br/especiais/mulher/meu-bebe-como-vicio-p-032.html

    • Felipe disse:

      Ninguém está impondo nada no texto. Tão pouco julgando quem faz isso, ou aquilo. É apenas uma reflexão sobre o assunto. Chama-se “ponto de vista” e pode ser discutido ou refutado com a apresentação de outro ponto de vista. É bem simples, na verdade.

      • shirl disse:

        Brilhante e real reflexão. Há muito que pensar ,refletir …

      • lola disse:

        Pois é Felipe, pelo que li dos comentários, nós que lemos o texto como uma simples opinião (independente de concordarmos ou não) de uma escritora somos a minoria. Para o preguiçoso, qualquer opinião contrária é adversária e qualquer crítica a um comportamento aceito em larga escala é coisa de reacionário.

    • Keli disse:

      E esse texto é dela também. Vai entender?

  3. Pingback: A derrota do feminismo no facebook | Minha caixa de sapatos

  4. marize disse:

    Não leve tudo tão a sério, cada um tem seu tempo e seu valor,verdades não são definitivas.

  5. Cristina disse:

    A ânsia da mulher se igualar ao homem fez com que valores se perdessem com o tempo e hoje milhares de crianças estão sendo “educadas” por terceiros, sem valores e sem limites, simplesmente pq não tem seus pais presentes. Minhas filhas são educadas por mim, são felizes e saudáveis! E eu coloco sim as fotos delas no meu perfil, como uma homenagem, para mostrar como são lindas e qual a sua importância na minha vida! Crianças estão sendo abandonadas aos montes nas mãos de estranhos em troca de uma carreira. Necessidade é uma coisa, mas a maioria das mulheres fazem sua opção, depois choram quando os filhos cospem em sua face!!! Eu sou mulher, sou guerreira e super feminina e sei exatamente o meu lugar…sou rainha! Não preciso mendigar o lugar de um homem, tenho o meu!

    • Rodrigo disse:

      Concordo com vc!!! Acho muito esquisito esse tipo de reclamação. Não vejo a pauta da emancipação da mulher nesse texto, estou vendo um ressentimento, uma necessidade de se equiparar, baseando-se em uma imposição estranha sobre as atitudes de mulheres que se sentem realizadas com os filhos. Quando eu tiver meu filho certamente vou colocar a foto dele no meu perfil e sem culpa.

    • Sheila disse:

      rainha? Oi? que ano é hoje mesmo?

    • Leila disse:

      E o pai delas, não as educa? Blz, rainha…

    • Anne disse:

      Nossa! Reduzir a mulher a um único papel: maternidade. Quantas engenheiras, médicas, cientistas, pintoras, artistas, profissionais brilhantes o mundo está perdendo! Metade da população perdida para criar “homens” (sim, porque mulher terá que ser mãe, pela sua visão, afinal, quem criará os filhos, né?)
      Nunca ví nada tão superficial, preconceituoso e MACHISTA.

      • lola disse:

        “Reduzir a mulher a um único papel: maternidade”. E não é isso que a mulher atual faz ao colocar-se em segundo plano, seja com a foto dos filhos no facebook ou no único assunto trazido para debate entre amigos sobre os mesmos?
        O retrocesso é real, só não enxerga quem está muito afundado dentro do umbigo… dos filhos.

    • Ana Lidia Cunha disse:

      Eu e meu marido somos iguais. Dividimos a responsabilidade emocional e financeira de criar filhos.
      Eles não são terceirizados porque eu trabalho.
      São certamente mais educados do que muitos dos “filhos de rainhas” que tenho visto por aí.

    • Giovanna disse:

      Uma questão: qual será o seu lugar e onde ficará seu reino quando seus filhos forem adultos?

  6. Débora Vieira disse:

    “Muitas dessas mulheres trabalham. Muitas fazem parte de clubes de leitura. Muitas são militantes de determinada causa ou têm interesses que vão além de suas casas. Mas é assim que elas preferem se representar.”
    O feminismo q eu defendo busca exatamente que cada vez mais as mulheres tenham direito a escolha. Inclusive de ser mãe e de achar que isso é a coisa mais importante da vida – desde q seja uma escolha e não falta de.
    Prefiro desconfiar de um feminismo caga-regras a desconfiar de uma feminista que escolhe colocar a foto de seu filho, de seu cachorro ou da chave de seu carro novo no FB.

    • diva disse:

      concordo em gênero, número e grau.
      apesar não ter foto do meu filho no meu perfil, às vezes é através da maternidade que mais livremente me expresso. principalmente em se tratando de afeto.
      o que tem isso de antifeminista ainda não entendi.
      mas… cd um com sua visão de mundo.

    • Fernanda disse:

      Perfeito!!!
      Adorei sua expressão “feminismo caga-regras”.
      Sou mãe, professora de Filosofia e tenho um vasto currículo acadêmico e com certa produção intelectual. Aí o que é esperado de mim: que eu coloque uma foto da capa da minha tese de doutorado, a minha ou a do meu filho? Se eu escolher entre as duas primeiras tudo bem? Neste caso serei uma mulher independente e não se dilui na figura do filho? Não posso mais escolher?
      Bobagem…

    • Concordo plenamente!
      Feminismo “caga-regras” é algo mais próximo do Femen – que, sinceramente, não me representa!

      Temos que analisar o contexto disso tudo. Quando o bebê nasce, é natural que a mulher só queira falar disso, é o que ela vive praticamente o dia inteiro. Aos poucos, vai voltando para o “mundo normal”, mas é um processo, não é algo que acontece do dia pra noite.

      E, sinceramente, se a mulher ESCOLHE passar o fim de semana divertindo-se com os filhos qual o problema? Isso é ser menos feminista? Não entendo, sinceramente.

      O que o feminismo me ensinou está bem definido nessa frase da Simone de Beauvoir: “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”

      Ou seja, serei o que quero ser, e problema de quem pensa diferente. não tenho nada com isso! 😉

    • Agnes disse:

      Sensacional seu comentário, Débora. Do jeito que tá escrito no texto fica parecendo que o que não pode pra mulher é não ter vontade própria e fazer o que o resto da sociedade quer, mas obedecer as teóricas feministas anulando sua propria vontade pode, já que é o certo pq elas são quem sabem de verdade o que é bom pra nós.

    • Mas não faz parte da nossa luta a liberdade?
      E o perfil é algo pessoal, onde cada uma tem a liberdade de fazer o que quiser?
      E não pode ser considerado parte da escolha uma mulher preferir a foto dos seus filhos do que a dela mesma?

      Por favor, enfiar mão em formigueiro só pra causar o caos é tão idiota quanto o caos que o machismo cria.

      • Fernanda disse:

        Adorei os comentários! Me identifico muito mais com eles do que com esse texto que, durante todo o tempo que li, só conseguia pensar: “Quanta babaquice!”… rs.
        Ou seja: eu boto a foto que quiser, seja minha, dos meus filhos, da causa em que acredito, no desenho que fiz anteontem ou do papa!… E dizer que isso me anula é de uma babaquice sem tamanho. Eu sou tudo isso e mais um monte! E luto pelo meu direito de ser mãe coruja, profissional, mulher e imperfeita! Que sou e tenho o direito de ser. E muito mais.

    • Amanditas disse:

      Querida Katie,

      O meu avatar de facebook não determina o que é central na minha vida.
      Um beijo,

      Mãe feminista cujo avatar é um aeroporto (lidem com isso!)

    • Cariny Cielo disse:

      Você arrasou Débora!

    • Cris Roseno disse:

      Falou e disse Débora Vieira!!!

  7. Renata lepage disse:

    Adorei o texto, e como não faço parte desse grupo pois optei por não ter filhos, sei que sempre que toco em assuntos semelhantes surgem um milhão de justificativas para esse abandono da vida própria em prol da existência dos filhos. Me pergunto é o que isso resultará a médio prazo, quando os filhos crescerem e forem criar suas próprias famílias (e repetirem os padrões a eles ensinados) onde existirá essa mãe que “é (ou foi) o filho”? E pra humanidade como um todo? Imagino se essas mulheres promissoras não teriam ajudado a modificar pra melhor a sociedade caso tivessem optado por exitir de forma autônoma. E concordo sim que ter a foto da filho como perfil do fb é uma das milhares se forma sutis de machismo que as mulheres abraçam tão alegremente. :(

    • Renata lepage disse:

      corrigindo a última frase: E concordo sim que ter a foto da filho como perfil do fb é uma das milhares de formas sutis de machismo que as mulheres abraçam tão alegremente.

      • Anna carol disse:

        Concordo com vc, Renata!

      • shirl disse:

        Totalmente isso!! E gosto quando a autora sugere o mundo feito tão somente em torno dos filhos.Real demais,vejo isso o tempo todo.Claro que as mulheres são livres em suas escolhas, mas como v coloca,“ abraçando alegremente“ o machismo ,sutilmente …Ai,ai…

        • Lisa disse:

          Concordo! E imagino a responsabilidade que o filho sente, a culpa ao sair de casa, ao deixar esta mãe que tudo na rotina se dava em volta dele.

      • Amanditas disse:

        Claro, assim como quem coloca pés no avatar do facebook adota uma forma sutil de adoração aos pés. Quem coloca desenho no lugar de foto é sutilmente feio. Quem coloca foto de identidade é sutilmente burocrático. Está aberta a temporada de decifrações de avatares alheios – diga-me que imagem publicas e eu lhe direi qual é a centralidade da sua vida!

      • Anne disse:

        concordo, Renata. Pena que pouca gente percebe isso. O que vejo atualmente são mulheres extremamente machistas (achando que snao o novo feminismo), não mais homens.

      • Sandra Oliveira disse:

        brilhante texto mesmo…opinião certeira contra o patriarcalismo incrustado nas cabeças femininas

    • Anna disse:

      Verdade, fico pensando o que essa mãe se torna depois que os filhos saem de casa: uma mera sombra, um ser vazio.

    • Vivi disse:

      Concordo que o abandono da vida própria não é bom de forma alguma. Nem para cuidar do seu filho, nem para cuidar do trabalho. Mas realmente acredito que ajudar a formar uma pessoa é uma forma efetiva de melhorar a sociedade. Claro que educar seu filho não é a unica forma de fazer isso, mas parece a mais profunda.

  8. Sem ter medo de errar, posso dizer que as mulheres que tem filhos, família, uma profissão e que mantem um perfil numa rede social, e que este perfil é usado para se atualizar, interagir , discutir, buscar e trocar conhecimento, seja este qual for ( até a chamada fofoca, que é a mais popular formar de comunicação), se esta mulher, ainda assim, em qualquer espaço de reunião, discute a criação de seus filhos, Benza Deus, temos aí , A MULHER. Afinal, tenho que deixar de ser” mãe coruja e zelosa”, porque os tempos são de discutir direito de gêneros? Coloquem sim, a foto de seus, de nossos filhos e netos e sobrinhos, desde que isso não os exponha a perigo. Discutimos politica sim, queremos e lutamos por um pais melhor, somos economistas, engenheiras, motoristas, médicas, enfermeiras, psicólogas, serventes , mãe, e esposa, e tantas outras funções, e muitas vezes, muitas delas ao mesmo tempo. Quero MEU espaço sim como mulher , EU NÃO QUERO O LUGAR ( NEM SER IGUAL ) AOS HOMES. Isto é ser feminista.

    • Marina Lang disse:

      Se ter o lugar dos “homes” é o mercado de trabalho, eu quero sim ter esse lugar e ser igual a eles – ao menos em termos de salário, já que mulheres ganham menos (trabalhando muito mais) do que eles. são dados e fatos, não argumentos. essa é a minha escolha. ter filhos é uma questão secundária e, na boa, cansa ver essas supermães de facebook enchendo a timeline com fotos da criança (eu oculto sempre que enchem o saco). e, ainda assim, sou muito mulher. beijos!

      • Fernanda disse:

        Marina, ter filhos é secundário para você, mas para outras pessoas não é, e isso não significa nada. O importante é aceitar que as pessoas possam fazer escolhas diferentes, e que o feminismo existe para que a mulher lute pelas suas próprias escolhas, para que ela possa trabalhar, ter filhos, viver uma coisa ou outra, ou AS DUAS COISAS simultaneamente, que elas não são excludentes! E que não seja oprimida na sua escolha, pela sociedade ou por você ou por esse texto, com seu julgamento, por exemplo.
        Aliás, essa história de ter que deixar os filhos de lado pra conquistar espaço no mercado de trabalho já deu! A luta feminista hoje em dia é para poder ter esse espaço E poder exercer a maternidade plenamente, sem ter que abrir mão de uma coisa ou de outra! Aliás, os homens também estão começando a lutar por isso, para conseguir o espaço deles pra criar os filhos também, junto da mulher, para ter licenças paternidade e poder exercer os dois papéis, esses são os novos tempos. Essa é a luta feminista.
        Você acha mesmo que ter filhos significa se anular? Na boa, só pra quem não tem muito a dar ao outro.
        PS: Ah, e que bom que vc acredita que é muito mulher, parabéns. Eu também. Aliás, todas que aqui comentaram, tenho certeza. E oq ue uma coisa tem a ver com a outra?

        • Amanditas disse:

          Isso me representou –> “A luta feminista hoje em dia é para poder ter esse espaço E poder exercer a maternidade plenamente, sem ter que abrir mão de uma coisa ou de outra! “

    • Tomas Aquino disse:

      Ainda bem, porque se você estivesse na guerra e precisasse interromper o batalhão inteiro só pra trocar o seu OB você e os seus companheiros estariam todos fodidos.

  9. Tassio Moreira disse:

    Se me permite a observação, achei o texto um tanto dramático. Entendi seu ponto, mas, pelo menos ao meu modo de ver, é natural que uma mãe seja bem mais próxima ao seu filho, especialmente quando criança. A ligação entre uma mãe e um filho já começa na barriga. Acredito que não preciso sem mulher ou estar “grávido” para perceber isto. É natural também que o homem seja “menos sensível” a estes assuntos. E por favor, não entenda meu comentário como machista.

  10. Maria Rita disse:

    Gostei muito do artigo. Fica claro que a idéa aqui não é que as mulheres parem de dar atenção, ou de falar sobre crianças, ou proibir os perfis com a foto delas, muitas mulheres não entenderam o texto. A mensagem e para que as mulheres não percam sua identidade, como esposa, membro da sociedade, sua identidade como um indivíduo. Colocar a foto do seu filho te representando não te faz melhor nem pior, mas a visão que os outros tem de você é que agora você é apenas mãe, e não, que você ama desperadamente seu filho (que é a mensagem que muitas pensam que passam). E a ideia não é para de falar sobre crianças, mas sim ter algo além para falar, uma hora falando sobre os filhos é legal, mais que tal depois falar sobre algo diferente e mostrar que você não deixou de existir para o mundo. Se esquecer de você em prol dos filhos não faz de você necessariamente uma boa mãe, mas faz sim de você uma mãe dedicada e sem muita coisa para conversar, nem mesmo com os próprios filhos.

    • Anna carol disse:

      Concordo. As mulheres que poe fotos dos filhos como se fossem a sua identidade me dao uma canseira…

    • daniela disse:

      Quem leu Somone de Beauvoir e é ativista, descolada e inteligente certamente nao vai ficar um jantar inteiro falando sobre os filhos… A autora é um bocado exagerada. Com todo o respeito…

      • joana disse:

        Acho que Maria Rita bem explicitou as ideias do texto. A questão é a de deixar de ter suas atividades e personalidade em prol dos filhos! Os filhos precisam sim fazer parte da vida dos pais. E o texto não é contra ter filhos, nem de amá-los, mas pelo contrário, de eles entenderem que você mulher, também tem vida própria!

    • Amanditas disse:

      Desculpa, o texto poderia muito bem falar da anulação das mulheres que se tornam mães – mas nao foi isso. Ele mencionou avatar de facebook, mencionou mulheres letradas (e emancipadas) que relatam gostar de crianças tanto quanto se pode gostar de qualquer outro assunto. E daí? Não pode mais gostar de criança? O texto tá mal dimensionado sim.

    • Marcio Dias disse:

      A visão que os outros tem de vc pertence a eles, não tem como mudar isso. É algo muito próximo do que a teoria literária diz. Um autor pode escrever um texto, mas a recepção sempre vai depender do leitor. O mesmo ocorre com as mulheres, não tem como ficar imaginando o que os outros vão pensar, pois a recepção é parte deles. Não tem como impor algo ditando o seguinte: “pessoal vcs vão achar lindas as fotos minhas no face”.
      Impossível, as pessoas são diferentes e das mais diferentes culturas. Exigir que todas pensem igual é uma alienação. A recepção por qualquer imagem que vc publique vai ser sempre variada. Maria Rita seu comentário é tão opressor quanto o maior de todos os machismos. A visão dos outros, o que os outros pensam não pode ser mudado. A única coisa que pode mudar é o que vc pensa sobre si mesma. Por isso se acreditar que colocando imagens de seus filhos no seu face, vai passar a imagem apenas de mãe, isso vai acontecer, não na realidade dos outros, mas na sua cabeça. E a imagem que produzir na sua cabeça vai ser tão forte que vai acreditar que todos pensam assim.

  11. Gabriela Pessoa disse:

    Criticar a foto que “feminista” usa no facebook? Ditar regras do que feminista pode ou não pode? Isso não é feminismo. Expor crianças nas redes sociais, os filhos, sem que eles próprios possam decidir se querem ser expostos ou não é outra questão. As pessoas se mostram como quiserem nas redes. Foto de gatinho fofo no avatar, pode? rs

    • CÉLIA disse:

      kkkkkkkk isso é para as mulheres q não tem o previlégio de se mãe dispeitadas e se tiverem filhos q não sejam belos de ser apresentados aí é q não postam mesmo são recalcadas pq tem mãe q não acham seu filho bonito conheço muitas .

      • Gabriela Pessoa disse:

        Discordo da sua resposta, Célia. E não acho que o texto está obrigando ninguém a nada. Mas é uma crítica a mulher que parece que acaba perdendo sua identidade depois que tem filho. Precisa ter avatar com foto do filho, postar fotos do filho, expondo a criança, como se ela não fosse mulher mais depois de ser mãe, mas apenas mãe se realizando na “beleza” do filho/filha. Assim como tem casais que postam fotos juntos, fazem perfis de “casal”, perdem sua individualidade.. O perfil vira “RenatoAndréa”.. Mas as pessoas escolhem o que quiserem. Só que aqui está se falando de feministas, não de qualquer mulher, pois nem todas são feministas. O título deste texto aqui já leva as pessoas a entenderem que é obrigatório feminista não usar foto de filho/a no avatar. O título já é meio confuso, o texto idem. Não considero uma boa reflexão do modo como foi feito, mas considero sim uma boa reflexão se pensar que tem mulher que depois que tem filho, passa a viver em função de “ser mãe” e se esquece de que é mulher. Aliás, há mulheres que não querem ter filhos e são muito pressionadas pela sociedade por isso. Separar mulher de maternidade, acho que é bom e importante.

  12. valente disse:

    Sobre os tênis? Qual o problema com usar tênis? Hoje é domingo , fiz um sexo hard core matinal, tomei meu banho, fiz o café, sentei no sofá com minha filha, desenhamos juntas, saí para o trabalho. Meu namorado que não é o pai biológico está com ela agora, não corto cabelo há meses, e não me sinto nem um cadinho relaxada por conta disso. Sobre as fotos, me assusta esse eufemismo pictórico , o tempo passa e elas não conseguem aceitar de forma alguma, usam fotos de 5 -7-10 anos atrás, depilam inteiramente seu sexo para parecerem bebês de plástico. Sobre falar apenas sobre as crianças, qualquer assunto sendo bem abordado pode ser o mais interessante do mundo, não tem como generalizar mesmo. Existem muitas mulheres solteiras desinteressantes também, que vão colocar foto do cachorro no perfil, ou a cara de um personagem de desenho animado e vão para o bar falar dos ultra-modernosos cremes rejuvenecedores, ou pomadas de clareamento anal, quem sabe fofocas sobre qualquer celebridade B. Acho que a observação tem alguma pertinência, quando toca no fato que muitas mulheres focam tanto nos filhos que correm sim o risco de se esquecerem, mas o ensaio se desenrola mal, e podemos sentir até o quão mal resolvida é uma geração de mulheres que resolveu não ter filhos e por não terem de quem tomar conta, tomam conta da vida alheia.

    • daniela disse:

      Super de acordo. E a quantidade de gente que diz ¨meu filho é lindo!¨e mostra a foto de um gato… isso é bem triste.

    • Vanessa disse:

      Sensacional, Valente! O melhor comentário até agora.

    • Janaina disse:

      Eu não tenho fotos dos meus filhos no lugar da minha foto no perfil, porque não quero(simples assim) Mas esse texto me faz pensar que algumas pessoas imaginam que feminismo é o mesmo que pedofobia. E que a pessoa que escreveu precisa rever as amizades. (imaginando um ciclo de amigos que se separa em homem x mulher num jantar) Achei sua resposta perfeita.

    • Leila disse:

      Um mulher só é bem resolvida se tiver filhos? Que loucura é essa? E ainda tem um monte de mulher concordando..

  13. Taís Albina disse:

    Não quero me ater aqui à análise de machismo ou sobre o papel da maternidade na construção da identidade de gênero atual. Quero me ater ao ponto de vista da criança que prova que Galileu estava errado.

    Esse apagamento da pessoa (que é mulher, que é esposa, que é profissional ou qualquer outra coisa que seja uma das partes que compõem sua identidade ou autopercepção) em favor de viver como se fosse, prioritariamente, mãe, causa impacto na vida dos filhos, em especial, na vida da filha. É muito comum e se discute bastante esse tema na psicologia, a filha ser vista como uma continuidade da mãe. Desde a vida intrauterina, essa filha deve lidar com as expectativas da mãe, com os planos e desejos maternos para a vida da filha, enquanto precisa se equilibrar entre a identificação com a mãe como seu principal modelo para tornar-se adulta e a frustração que causa em sua mãe todas as vezes que se define como um organismo autônomo, mais simbiose do que colônia.

    Os tempos mudam e mudam com ele os hábitos e a forma de enxergar a vida. Se opor a isso é um pouco se agarrar a verdades perfeitas, ser reacionário, ou todas essas coisas que não queremos ser e não gostamos de pensar que somos. Dessa forma, há perdas e ganhos em relação ao fato de a criança, antes um ser de menos importância na hierarquia familiar, ter se tornado o rei da casa e aquele que escolhe com prioridade qual parte do frango assado quer comer. E foi essa transição que facilitou, por exemplo, maior estudo sobre as doenças que causavam mortalidade infantil e trouxe tanto avanço e qualidade de vida. Porém, trouxe também dificuldade de lidar com frustração e perda dos limites.

    Pensamos de forma intensa sobre educação, sobre valores e sobre como preparar nossos filhos para o mercado de trabalho e achamos que isso é preparar nossos filhos para a vida adulta. Em raros momentos pensamos em torná-los sujeitos mentalmente preparados para enfrentar rejeição, frustração, vazio, fracasso ou outras mazelas universais da vida subjetiva. Queremos que eles tenham sucesso, é lógico. Porém, nossa própria falta de saúde mental se reflete nos nossos filhos. E estamos criando, cada vez mais, crianças que pendulam entre a neurose de se anular em nome do outro e a psicose de se acharem o centro do universo e provando que Galileu estava errado.

    • Eleonora disse:

      EXCELENTE resposta.

    • Marcia disse:

      Excelente isso que vc disse, Táis.

      Achei o título do texto meio exagerado, e tudo que fala sobre maternidade geralmente deixa um monte de mães na defensiva.

      Nem todas as mães são assim como o texto diz, mas tem muitas que são. Que acham que seus filhos são excepcionalmente mais lindos, mais inteligentes, mais “especiais”, super protegem, super expões e se anulam em função das necessidades e vontades dos filhos, esquecendo que elas também são uma pessoa com vontades e sonhos, que tem elas são mais do que “a mãe do fulano”.

  14. daniela disse:

    Esse texto é um exagero tipico das feministas noretamericanas… De que a autora teme? De quem ela fala? ¨a mulher que botou a criança em seu lugar no Facebook certamente foi leitora de A mística feminina, O segundo sexo e O mito da beleza e dos blogs Double X ou Jezebel¨. A maioria das mulheres do mundo nunca leram esses clássicos do feminismo…
    Uma mulher inteligente, brilhante ao 20 anos, quando tiver filhos nao precisará se anular e só falar disso. Que bobagem… A autora tem filhos? Acho que ela está projetando suas paranóias e medos demais… Filho é lindo e faz crescer como ser humano. 😉

  15. Silvana Benedita Barbosa Moura Fagundes disse:

    É muito difícil determinar sobre o que eu entendo de feminismo tão somente pela imagem do meu perfil.
    Parece óbvio que quando optamos pela maternidade temos a consciência que o nosso todo ficará comprometido por algum tempo, tempo precioso para nós e para que os filhos possam crescer e seguir em frente.
    Considero que aquilo que as pessoas escrevem em um Facebook revelam muito mais do que a postagem de fotos dos filhos.
    E ainda assim não confio plenamente na ideia de definir a ideologia quanto ao feminismo através do Facebook.

  16. Daniella disse:

    Ah gente, comecei ler e fiquei com preguiça de continuar… colocar uma foto do meu filho no perfil do fb é para mim motivo de orgulho! Eu sou a MÃE desse garotinho maravilhoso, eu cuidei dele por 9 meses dentro de mim e agora que ele está fora, eu quero o mundo inteiro conhece-lo e saber que eu sou quem tem a responsabilidade criar ele para ser um homem grande e do bem!
    Isso não me faz menos pessoa.
    Eu trabalhei bastante fora de casa e agora trabalho dentro dela (com meu filho e minha profissão). Eu me sinto muito bem comigo mesma e acho que só uma mulher frustrada poderia dizer que as fotos do meu bebe no perfil de fb “sinalizam um autoapagamento mais amplo e ameaçador, um estreitamento de horizonte”…
    Enfim. Boa sorte para as mulheres que acham que dar prioridade e sentir orgulho pela sua família é ser menos mulher…

  17. Gloria de Paula disse:

    Interessante a reflexão/análise da autora! Não havia pensado nisso. O que ela diria de “Mundo sem mulheres” do Fantástico..?

  18. sandro disse:

    Facebook nao revela ninguem. sao fragmentos do que cada um libera pras telas do mundo. como cada um interpreta e enxerga isso, é um caleidoscópio sem fim. o uso nao-comercial e nao-politico da rede, e o uso marcante de modo pessoal, que é uma coisa interessante de se problematizar. Agora, Identidade só se conhece do outro com diálogo intenso, onde alteridade nao seja atravessada por autismo, esquizofrenia e proselitismo. e muito menos por representações sociais fragmentadas, digitalmente distorcidas. Que ainda são ressemantizadas por retinas, corações e mentes de modo muito idiossincrático.

  19. Gabriela Dotti Chioquetta disse:

    Eu tenho a foto do meu cachorro no perfil.

  20. priscila pascoal disse:

    A leitura da Katie Roiphe de que mulheres podem anular sua identidade em nome da identidade de suas crias é, sim, bem possível e plausível.

    Mas isso tb nao significa, é óbvio, que todas as mulheres que alguma vez postaram fotos de suas filhas ou filhos em seus perfis sejam vistas todas como anuladoras de suas identidades. Eu, graças as deusas, superei essa fase de “minha filha = mim”, “futuro da minha filha = mim” ou até mesmo “eu = minha filha ou minha família”.

    Muitas mulheres não superam essa fase… aí mora o perigo da auto-anulação.

    Alguns outros pontos tb são debatíveis, exemplo: “Os filhos são uma importante realização na vida de alguém e, indiscutivelmente, a mais importante realização”. A autora tenta, tenta , tenta escapar e fazer as mulheres refletirem sobre uma situação limitante, mas ela mesma não consegue fugir da ideia de que o resultado da procriação (crianças) seja a realização MAIS importante nas nossas vidas…
    Lembro que um dia a minha filha me perguntou: “Mãe, qual é a pessoa mais importante da sua vida?” “Eu”- eu respondi!! “E a segunda?” “Eu!” “E a terceira?” “Eu!” “E a quarta?” “Aí é você!” E acrescentei: “Sem eu mesma, EU não vivo!” …

    … e lá vamos nós… …. desconstruindo … desconstruindo aos poucos……
    belas reflexões!…

  21. Sílvia Amélia disse:

    Texto interessante! E mais interessante ainda é como a maioria dos comentários o complementa, mostrando como tantas mulheres realmente não conseguem perceber o anulamento – em gestos muito sustis – a que se submetem diariamente, por exemplo ao não serem elas mesmas nem na foto do seu PERFIL de facebook.

    • Carolina Giovannini disse:

      Acho que a moça errou porque generalizou demais. Ficou preconceituoso e soa pseudo intelectual. Quer dizer que so serei ~eu mesma~ se for mulher saudável, articulada, engajada e bem-vestida. E quem disse que nossos pais não largaram sonhos e planejamentos de vida para nos criar? Exemplos pífios e mal colocados para criticar um problema comum a todos no mundo hoje: falta de identidade e individualismo. E mais uma vez colocando a culpa disso nas mulheres e mães. Isso para mim é, como diria Estamira, o avesso ao contrário. Feminismo as avessas disfarçado.

    • Adriana disse:

      Na mouche, Sílvia. Parabéns.

  22. Interessante essa observação! É algo que venho notando faz tempo! Mesma coisa vale para aquelas pessoas que colocam a foto de casal no perfil do Facebook! Não é porque se tornou mãe ou esposa que a sua individualidade e personalidade devem ser suprimidas!
    Tenho 28 anos,sou solteira e bem sucedida profissionalmente.Sou muito cobrada para me casar e ser mãe.Quero os dois,mas no momento certo.Confesso que temo muito por uma futura vida de casada e de mãe: não quero nunca deixar de ser eu mesma! Acontece que todos falam que sua vida e suas ideias mudam radicalmente! Sei que realmente tudo muda,mas receio estar sempre vinculada a um homem ou a uma criança! A terapia tem me ajudado muito a refletir sobre o assunto!

    • Marita disse:

      Às vezes, você pode ser solteira e não ser você mesma. Acho que estar casada ou ter filhos não vai fazer você perder sua identidade. Você pode até mesmo encontrá-la. Tenho 28 anos, sou profissional “bem-sucedida” (acho engraçado isso), e mãe. Acredito que a identidade de uma pessoa pode ser reformulada quantas vezes ela quiser. E a minha está em constante adaptação.

  23. monica ruiz disse:

    gostei muito dessa matéria …. parabéns

  24. Sueli disse:

    Não faço parte das feministas, muito pelo contrário, gostaria de poder só cuidar da casa e da família, mas isso não é opção.
    Minhas filhas fazem parte da minha foto do meu perfil e acredito ser inseparável a pessoa que nos tornamos depois de sermos mães. Espero muito que todas as que aqui criticam negativamente sejam mães, porque aí sim podem falar de um assunto que entendem. Quem não é mãe, não sabe o que é sentir esse amor. Não significa simplesmente deixar de ser quem se é, porque necessariamente nos tornamos outra pessoa, isso não tem como evitar, não tem como negar que deixamos de viver única e exclusivamente para o nosso próprio umbigo e passamos a viver para pessoas que dependem muito de nós no seu princípio de vida. E isso para algumas significa anular-se, o que de fato é muito ruim, inevitável no princípio, já que cada uma tem suas particularidades. Mas acho que essa visão “usar foto de filho no perfil é anular-se” muito simplista.

    • Juliana disse:

      Não poderia concordar mais, Sueli… só quem é mãe sabe. Sabe que mudamos completamente (até contra a vontade em alguns casos!). ;o)

    • Keli disse:

      Sou feminista pró- mulher, e concordo muito com você. Não deixe que feministas caga- regras te passem uma imagem equivocada sobre o feminismo. O contrário do feminismo é o machismo. Feminismo é a teoria de que mulher também é gente. Nem melhor, nem pior que os homens.

  25. Célia M. disse:

    Acredito que a verdadeira marca de uma pessoa seja seu nome. A foto mostra sua aparência, que cada um percebe de uma maneira, de acordo com sua visão de mundo e sua intimidade com essa pessoa.
    Tudo o mais são descrições de funções assumidas pela pessoa ao longo da vida, por escolha própria ou não, as quais fazem parte do que costumo chamar “pedigree”, mas que não definem a pessoa como ser: profissão, cargo, local de trabalho, teses e títulos em geral, sexo ou opção sexual, raça, religião, opção política, estado civil, classe social, status e ainda o fato de ser mãe ou pai, filhos, tios ou avós.
    Para conhecer uma pessoa é preciso conviver com ela muito tempo, tendo vontade e interesse de construir um relacionamento verdadeiro de ambas as partes, o que geralmente não é uma proposta fácil de ser concretizada.
    O próprio autoconhecimento não é algo transparente para nós mesmos, exige esforço constante e perseverante ao longo da vida.
    Por isso, quando pedem que me apresente em algum encontro ou reunião, digo simplesmente meu nome.

  26. Rafael Rodrigues disse:

    Quanta besteira..

  27. Juliana disse:

    POIS eu acho estranhas as mães que NÃO têm foto dos filhos no FB.
    As mães que fazem um ESFORÇO TREMENDO para mostrar que NADA MUDOU, que elas continam as mesmas mulheres, com as mesmas conversas, as mesmas roupas, as mesmas preocupações de antes.
    Mãe que NÃO FALA dos filhos.
    Eu acho que o machismo se manifesta de várias formas… uma delas é esta: a obrigação que temos de continuarmos as MESMAS de antes. Meus queridos, não se enganem, este é o maior desejo masculino: que a gente continue dando a mesma atenção a eles, que nosso corpo seja somente deles e que os filhos sejam apenas mais um detalhe de nossas vidas.

  28. Bruna disse:

    Só digo que a mulher que tem tanto medo assim de se anular quando tem um filho, é uma mulher muito fraca com só uma máscara de forte.
    Esse texto foi uma das maiores besteiras que eu já li na minha vida. Só consigo ler ‘bla bla bla quero ser feminista bla bla bla ai que medo de fazer alguma coisa que mostre pra todo mundo que eu sou menos feminista bla bla bla tenho que mostrar pra todo mundo da internet como eu sou feminista’.
    Se a tua mãe não tivesse te dedicado tempo e amor, o que você pensaria? Se ela tivesse te largado em casa sozinha todos os finais de semana pra “ser ela mesma”? CRIANÇA NÃO CONSEGUE SE CUIDAR SOZINHA. NÃO SABE SE CUIDAR SOZINHA. E ponto. Você hoje seria cheia de mágoa no coração. Não faça com o outro, o que não gostaria que fosse feito com você. Não é a coisa mais importante do mundo você criar uma imagem de feminista engajada, leitora assídua e bem vestida. Mas essas pseudo-feministas de hoje em dia adoram ser assim. Criam um esteriótipo que, de tão ridículo, me dá até preguiça.

  29. rita de cassia disse:

    Interessante nos comentários é a falta de reflexão sobre o que a autora expõe. A maioria dos comentários é defensiva e taxativa ao categorizar como besteira o que a autora defende. Poucos se propuseram a debater pontos de vista que enriquecessem o debate. A mulher que se dedica a várias atividades e é mãe tem como refletir relativamente ao que a autora expõe. Canso de ir a reuniões/festas onde o lugar interessante é mesmo a roda de conversa dos homens. Muito bom artigo.

    • shirl disse:

      perfeito!! Observei o mesmo!

      • Mena disse:

        Carapuça serviu, simplesmente. Calma pessoal, antes de atacar, reflitam. Se refletiram e ainda continuarem a discordar do artigo, pelo menos vão ser capazes de enriquecer a discussão, ao invés de simplesmente chamar o artigo de besteira ou declarar morte às tais feministas (como se feminismo fosse um modelo estanque e único de ideias).

  30. Luiza disse:

    Pra quem perguntou “o que sobrará para essas mães depois que os filhos forem embora?”, eu pergunto: o que sobrará para essas pessoas (homens e mulheres) que colocaram a sua realização profissional e carreira acima de tudo quando não estiverem mais em condições de disputar no mercado de trabalho? Te parece saber ter chegado ao topo de uma empresa, por exemplo, seria mais satisfatório na velhice do que ter criado uma família e vivido intensamente momentos com eles?

    Honestamente, eu acho que não.

    A tua empresa caga pra ti e te esquece um segundo depois de que tu vai embora. Os laços familiares são eternos. O que deveria haver era os HOMENS passarem a dar mais valor e se dedicarem mais à família, nao as mulheres à carreira.

    • Marcia disse:

      Você erra ao separar o mundo em dois tipos de pessoas, quem ama a família que tem e nada mais, e quem ama o trabalho e nada mais.
      Existem tantas outras coisas no mundo além de filhos e trabalho, inclusive pra quem tem filhos e trabalha.
      É possível ter filhos, ter uma carreira, ter hobbys, interesses e vontades pessoais, fazer trabalho voluntário, participar ativamente de sua igreja ou comunidade, etc, e também escolher não ter filhos, ou escolher não trabalhar fora. Uma coisa não precisa e nem deve anular todas as outras.

      O problema é quem acha que ao ser mãe, só pode ser mãe e nada mais, e infelizmente isso é muito comum. O ser humano é complexo, e qualquer limitação exclusiva vai trazer insatisfação, por melhor que seus filhos sejam, ou por melhor que seu trabalho seja.

  31. Luiza disse:

    “Eu acho que o machismo se manifesta de várias formas… uma delas é esta: a obrigação que temos de continuarmos as MESMAS de antes. Meus queridos, não se enganem, este é o maior desejo masculino: que a gente continue dando a mesma atenção a eles, que nosso corpo seja somente deles e que os filhos sejam apenas mais um detalhe de nossas vidas.”
    ——-

    juliana, concordo bastante contigo!

    Além disso, acho que existe uma desvalorização dos papéis tradicionais femininos pela cultura mainstream e até mesmo pelo próprio feminismo (a maior parte dele, ao menos). Bonito mesmo, mulher completa, satisfeita com a vida, é mulher DE CARREIRA, é profissional bem-remunerada, competitiva no mercado e bem-sucedida. Oras, pq isso seria mais satisfatório do que cuidar dos filhos e da família? Valoriza-se em demasia o trabalho remunerado, como se ele fosse a única maneira de realizaçao do ser humano, e isso é prejudicial tanto para os homens quanto para as mulheres. Entendo que seríamos todos muito mais felizes se conseguíssemos ter mais tempo para a nossa chamada “vida privada”: para passar tempo em família, educar, cozinhar, etc. Todos, homens e mulheres.

    • Amanditas disse:

      concordei –> “existe uma desvalorização dos papéis tradicionais femininos pela cultura mainstream e até mesmo pelo próprio feminismo (a maior parte dele, ao menos). “

  32. sara disse:

    Foi a coisa mais idiota que li na vida. Morte as feministas!!

  33. Sol Mascarenhas disse:

    Li, mas achei que foi distorcido. Primeiro que na internet, e mais ainda no facebook não tem muita gente interessada em analisar coisa alguma, com profundidade pelo menos. Depois que o texto parece muito rancoroso! Me lembra as feministas da década de 50, 60, que tem que estar eternamente de mau humor, e atacando o que quer que seja pela frente… Mesmo que seja só fato de a amiga, ou colega ao lado, ter posto a foto do filho(a) ao invés da sua própria. Parece muita tempestade num mínimo copo d’água, pra tanto texto.

    Há ainda um grande nº de feministas, que são contra o casamento, e pior ainda de mulheres terem filhos; há que se pensar que estamos já no séc XXI, e mesmo que precisemos lutar muito ainda, alguns ganhos são visíveis. Não dá pra manter a mesma mentalidade de outras décadas, em que a ferocidade feminina era necessária pra se impor, queimar sutiãs, e etc. Acho que estamos melhores. Ressalto ainda, que tenhamos cuidado com textos assim, minimiza a atenção dos pais (especialmente mães), ao cuidado, educação, atenção de valores. Criar um filho é formar uma pessoa, não é passear com um cãozinho, um bichinho de estimação. Se depois há crianças de má índole, de pestinhas destruidoras, de guris depressivos, carentes, nervosos, violentos, não teria uma parcela dos pais? Vou repassar este texto adiante, pois o considero até perigoso, e querendo outras opiniões a respeito…

    Sobre a autora do artigo vejo que é alguém que tem excelente instrução e faz pouco uso dela pra ser sensata. Não creio que seja feminista, é alguém que chama a atenção por ser do contra e do politicamente incorreto, logo chama a atenção pra si. Deve estar dando pulos de alegria com a repercussão de seus disparates intelectuais. O que vejo faltar é: intelectuais que se dediquem a causas reais do feminismo, ou não, da cultura, das artes, do humano, com coerência e sensatez. Estes são raros…

  34. Ana Paula disse:

    Hahaha!
    Muito engraçada a ira das mães do Facebook. Só posso concluir que a carapuça serviu.
    Claro que suas colegas “mães” vão concordar com vocês mas quantas vezes já desejei ser homem só para em sentar no lado interessante da mesa…
    Digam o que quiser, mas qualquer pessoa com um único assunto é muito mais que desinteressante.

  35. Leila disse:

    Muito interessante o artigo. Li alguns comentários e fico intrigada sempre que leio comentários ao perceber como hoje as pessoas têm dificuldades em entender o que está escrito, levam rapidinho pro plano pessoal, se ofendem porque de algum modo se viram retratadxs, se contradizem, mandam recado para a autora que nunca vai ler, evidentemente (é um artigo traduzido). Acalmem-se, mamães, ninguém quis ofender ninguém, isto é uma análise, reflete o que a autora pensa, não foi escrito SÓ para a sua realidade.

  36. Carlos disse:

    Os comentários mostra como o feminismo falha em entender o humano. Ou ao menos este feminismo sem causa, que discute liberdade individuais em nome de um ideal que interessa a quem mesmo?? Betty Friedan?? Katie Roiphe?? Elas por acaso é mais “mulher” que qualquer outra “mulher” ?? Não querer enxergar que homens e mulheres estão em um processo de descoberta, de reformulação de comportamentos e dinamicas, isso me parece retrocesso.

    “… que é ponto de honra mostrar quão pouco resta em você de uma mulher saudável, articulada, engajada e bem-vestida.”

    Isso é mulher do “mercado”, das revistas que tratam mulheres de forma condescendente para vender mais revistas. É fácil se reconhecer assim; nem homens escapam disto. E quanto mais alguém se reconhece assim, mais longe de reconhecer o que realmente acontece ao redor. E muito menos entender o porque mães gostam de exibir seu filhos.. E deixo um artigo, de alguém capaz de entender o”feminismo de revista semanal”:
    http://thelastpsychiatrist.com/2013/03/dont_hate_her_because_shes_suc.html

  37. Fátima Pombo disse:

    Tudo o que ela falou é real. E existe sim a super exposição de crianças em redes sociais. Assim como a maioria das mulheres/mães não param de falar dos seus proprios filho/as em todas as rodas de encontros. Chega a ser um saco!

  38. Carol disse:

    Creio que já passamos pelos extremos e finalmente estamos chegando ao que realmente importa: o equilíbrio.
    Houve a época quando o nome da mulher era substituido pelo do homem e houve o tempo em que não perguntavam para a mulher se ela queria ser traduzida pelo nome de seu marido e seus filhos (sim, tem as que querem).
    Hoje existe a mulher feliz que coloca o nome que quer e é aí que a mulher é livre e independente, quando ela trabalha fora se quiser ou pilota fogão se quiser!!! Por que naõ???
    Conheço homens que colocam foto do filho de perfil, será que seria uma perda de identidade da humanidade ou simplesmente é a liberdade de expressão de cada um?
    Graças a Deus acabou o feminismo que impõe, para dar lugar ao direito de escolha!!!!

  39. Adriana Teixeira disse:

    Matérias como essa apenas ressaltam para mim o que perceptível em muitos veículos de expressão que tentam estabelecer juízos sobre a conduta das pessoas ou dos segmentos que elas representam: que o ser humano, por mais instruído e engajado que seja, conhece a liberdade apenas como princípio de uma vida ideal, mas não a exerce de fato. Nos dias de hoje (não em todos os recantos do planeta, é bem verdade), as mulheres, dotadas de liberdade, podem optar por uma trajetória de vida na qual é possível escolher se querem ou não ter filhos, se querem trabalhar fora ou ficar em casa cuidando dos filhos ou de outros familiares e se querem ou não usar como perfil no facebook a foto de um filho. Num mundo em que se valoriza a liberdade não importa a forma como cada um escolheu viver e como se expressa, seja mulher, homem ou transexual. Não nos preocupemos com o que uma conduta pode repercutir no outro e na sociedade, pois aquilo que parece ser, se verídico, apenas toca a superfície de uma realidade ultra-complexa, que é a mente humana. Viva a liberdade e o respeito à liberdade.

  40. Bruna Cataldi disse:

    Excelente tradução! Não é facíl traduzir esse inglês informal nova-iorquino.
    Gostei da Katie, não conhecia. Sempre descubro coisas de qualidade na Serrote.

  41. Ric Jones disse:

    Realmente, o título está correto… é o fim desse tipo de feminismo antigo, que despreza o feminino e desconsidera asespecificidades do ser mulher.
    Estamos diante do ocaso de um feminismo cujo desiderato máximo seria transformar as mulheres em “homenzinhos de gelatina”, fortes, invasivas, transformadoras e sem a chatice perpétua dos filhos a atrapalhar seus projetos. A autora chega a usar um argumento, no mínimo, curioso:
    “Mas essa forma específica de narcisismo, a exposição destes querubins para criar uma imagem do eu, é para mim mais perturbadora pela verdade que revela. A mensagem subliminar é clara: Eu sou os meus filhos.”
    Para ela, “eu sou o meu trabalho” soa melhor do que apresentar a obra mais sofisticada e complexa que uma mulher é capaz de produzir: um filho saído de seu ventre. A articulista provavelmente não percebeu o que muitas mulheres conseguem ver, e que ela se nega a perceber: existe um orgulho imenso em dar à luz um filho e criá-lo com coragem, denodo e determinação. Se as mulheres podem hoje atingir outros postos de realização pessoal nas sociedades ocidentais, outrora a elas sonegados, isso não desmerece o trabalho árduo, penoso e – ao mesmo tempo – gratificante de gestar, parir e maternar um filho.
    Realmente, é o fim “desse” feminismo, bem chamado de “caga-regras”. Não precisamos mais de patrulhas feministas, comandos anti-gravidez e nem de ativistas contra o romantismo, o desejo, a delicadeza e o amor maternal. Podemos soterrar um feminismo que nada mais é do que a outra face do machismo, que olha as sociedades igualmente divididas e que não pensa em congraçamento e respoeito na diversidade.
    Andrea Dvorkin deixou seguidoras, e a marca do rancor e do ressentimento com a a devoção maternal se mantém idêntica.
    Rest in Peace, old feminism…
    E que seja bem vindo um “novo feminismo”, de mulheres que respeitam suas características mais profundas e que exaltam a feminilidade na sua mais intensa radicalidade: o poder de gestar e parir.

  42. Ro Brittus disse:

    Gostei da matéria, bem reflexiva. Creio que posso ver onde estou no processo, o que faço para melhorar e demonstrar minha identidade nas redes sociais. Também creio que possamos nos prevenir de algo que possa ter uma reação contrária a que tanto desejamos, no caso de expormos um tanto a mais de nossa vida pessoal (nos caso os filhos). Quando se entra numa rede social, pode-se visualizar com qual objetivo e ai definir como se expor. Parabéns pelo texto aqui exposto.

  43. Juliana disse:

    gente… o feminismo não dá conta da maternidade. infelizmente… até inventarem um robô-mãe, seremos nós as responsáveis por carregar uma vidinha em nosso corpo durante 9 meses, parir e cuidar nos primeiros meses. na atual situação, não dá para ir contra este fato – e ir contra me parece uma tremenda crueldade com os bebês – melhor não ter filhos.
    e esta coisa de identidade… nossa identidade está em eterna construção, eu acho. e parar de pensar somente em si, colocar outra pessoa em primeiro lugar… é uma tremenda liberdade, uma benção. é muito bom parar de olhar para o próprio umbigo. quem viver, verá!

  44. Adorei o mimimi. Cadê o botão “curtir”?

  45. Sandra Maria de Oliveira disse:

    Bem… sou avó e na foto do face estou junto com meus netos. Diferente de ser mãe, ser avó não é opção, somos simplesmente, independente da nossa vontade. Colocá-los junto comigo representa a minha disponibilidade para ser avó, aceitei esta condição e estou adorando!!!

  46. Silvia disse:

    Ainda bem que é só uma possível interpretação dos fatos e que existem tantas outras diferentes desta!

  47. Naty Rondon disse:

    Isso seria a derrota do feminismo no facebook? E a vitória seria o que? Colocar fotos dos “seios p fora” no perfil?
    Quanta bobagem!
    Ouvir uma mãe falar a noite inteira sobre filhos é tão chato quanto ouvir solteironas, falando de “macho, academia, silicone”…Tudo em excesso enche o saco, inclusive essas discussões pseudo-feministas.
    Dona Katie…vai depilar esse coração peludo vai…

  48. Adam disse:

    Bem, vocês que pedem “reflexão”: se é para “refletir”, então “reflitamos”.

    Imagine que você encontre uma amiga, profissional conceituada, bem formada academicamente, militante etc. mas que, por acaso, tem uma filhinha de poucos meses e trocou sua foto no Facebook pela do bebezinho. Agora fale NA CARA DELA que ela está se anulando. “Reflita”: você teria coragem de fazer isso? Se tivesse, o que acha que sua amiga faria? Mais importante: como acha que sua amiga se sentiria?

    Sua amiga foi anulada, sim – por você. Ela é uma mulher muito bem-sucedida, com várias histórias de independência, força de vontade e sucesso, coroada por um dos maiores desafios possíveis: cuidar de uma criança. Daí vem você e, em nome de sua “reflexão”, simplesmente esquece tudo isso e diz que ela está desvalorizando as realizações dela por um detalhe minúsculo no perfil dela. Você vai ignorar todos os debates sobre trabalho, educação, política, militância etc. que eventualmente tenham ocorrido abaixo da foto e vai focar onde você acha que ela, apesar te toda sua comprovada capacidade, está sendo sutilmente apagada. Que importa como ela se sentiria, afinal? Você precisa “refletir”.

    Isso é egoísmo. Isso é falta de empatia. Isso é resultado de uma reflexão, sim – mas uma reflexão ruim, onde você só olha para si mesma como modelo e, ao ver outra fazer algo diferente, algo que você não entende, já cogita umn potencial problema. Não é uma reflexão onde você vê coisas para problematizar em si mesma, mas sempre no outro. É uma reflexão onde o reflexo se torna o modelo do mundo. Mas eu sei que não é isso que vocês querem chamar de reflexão, mas sim algo bem mais positivo, né? Então, não, nesse texto não há reflexão.

    Vejam essas mulheres que discordam acima. Até onde li, quase todas têm carreiras bem-sucedidas, anos de estudo, objetivos pessoais diversos da família, e se sentiram ofendidas, ofendidas mesmo, pelo que se disse delas, por um detalhe tão pequeno. Sentiram-se invadidas em suas escolhas pessoais. Aí pergunto: você refletiu sobre isso? Se perguntou como mulheres tão capazes podem ter sido capturadas por uma “armadilha” tão “sutil”? Não. Você concluiu que elas não “refletiram”; de outro modo, claro que teriam concordado com o texto! Você pegou as experiências dessas pessoas e as ignorou. Concordo que a maioria das respostas não foi argumentativa, foi reativa; agora, você refletiu que, talvez, por se sentirem tão ofendidas, talvez o texto as tenha ofendido? Não.

    Inverto o jogo aqui: reflita você sobre as respostas, também. Ok, elas são reativas, às vezes agressivas, mas são de parceiras suas em uma luta pela igualdade. Não assuma que você está certo ou certa – abra sua mente. Consegue fazer isso?

    * * *

    Quanto a quem não gosta de conversa de mãe… Olha, entendo. Quando eu não era pai, também não gostava de conversa sobre criança. Entretanto, mesmo sem partilhar da experiência, você há de convir: pôr uma criança no mundo, pôr um ser humano novo inteiro no mundo, é a coisa mais grandiosa, mais chocante, que alguém, homem ou mulher, pode fazer. Ponha-se na situação dos pais, sinta os desafios – sinta quase pânico – e some a isso um amor maior e mais incondicional que qualquer outro que você já tenha sentido, irreversível, por uma criatura que depende totalmente de você. Sério, tente sentir isso, visualizar. Agora, me diga como isso não vira assunto? Pense nos problemas que você teria de enfrentar, e me diga: como não discuti-los?

    E o impressionante é que vocês estão errados! Quando me encontro com outros pais, conversamos sobre crianças o mesmo tanto que um grupo de mães – e como qualquer grupo de mães, também falamos de outras coisas. Se encontro gente, homem ou mulher, sem filhos, falamos de outras coisas – mas aparentemente vocês têm encontrado apenas amigas com filhos, e ainda querem definir o assunto da rodinha. Isso é razoável? Não, não é.

    Olha, se você tem vontade de ir para a rodinha de conversa dos homens nas festas, vá! Sério, é excelente, não pense que tem uma barreira impedindo porque, se tiver, deve ser derrubada. Mas saiba de uma coisa: ou a rodinha é de homens sem filhos, ou vai falar dos filhos tanto quanto a rodinha de mães, ou – e aí que a coisa fica feia – é uma rodinha de pais que pensam menos nos filhos que as mães – logo, as mães têm de se preocupar e conversar mais. Você bem possivelmente estará na rodinha dos pais machistas. E não acho que seja errado, não! Certamente vai haver mais assuntos interessantes lá. Mas você já tinha refletido sobre isso? Já tinha pensado que está preferindo os machistas?

    Aposto que não. Agora, pense sobre isso, mas antes de escrever um post tolinho pagando sapo para suas companheiras, aceite também que, se os assuntos não levarem a coisas escrotas como piadinhas machistas, essa é uma escolha perfeitamente aceitável.

    Porque é nessas diferenças de escolha que está a liberdade.

  49. P. Santos disse:

    Poxa, ver os comentários me entristece, pois ninguém se esforça para entender que o foco não está somente na “foto de perfil”, mas em tudo que existe por trás disso: Existem muitas mulheres que se anulam mesmo.. Existe a projeção da felicidade somente em cima dos filhos, a frustração dos relacionamentos ou do próprio corpo.. falta de prazer.. autoestima, etc…

  50. gustavo disse:

    what? what? what? desculpe senhora, nao quero ser rude, mas nunca vi tamanha ignorancia, a senhora eh a criadora, fundadora, inventora do Facebook, pra que possa dicer cual o proposito do Facebook, haja ignorancia, primeirissimo lugar, cad um tem o direito de por a foto q bem entender sem precissar do seu julgamento apressurado, segundo eu teria o maior orgulho de colocar as fotos das minhas filhas o netos por dois motivos, primeiro, porque me da a santa gana, entedeu, segundo porque me identifico demais com eles. Ah se eu precissar de psiquiatra, com certeza nao irei pedir conselho a senhora. Agora eu digo, sinto pena das mulheres q se retractam dos seus atos ou vontades porque uma terceira pessoa emite uma opiniao!eu hein!

  51. Fm disse:

    Sinceramente? Filosofia barata…
    Não há “apagamento” ou tendência ao desaparecimento da identidade feminina; pelo contrário, vivemos um momento de superexposição, de privacidade reduzida onde tudo é sabido, tudo é fotografado, tudo é compartilhado.
    E cá pra nós, o último parágrafo do artigo é simplesmente ridículo.
    Manda a boa técnica de redação que, ao final de um texto, o autor faça uma conclusão a altura de tudo o que foi escrito.
    Bem… Na verdade, pelo menos isso foi feito a contento.

  52. Pingback: - Orelhas de Vidro

  53. Pingback: The Old Feminism - Orelhas de Vidro

  54. Linda disse:

    Gente, quanta bobagem. Cada um com seu cada um. Se há mulheres que preferem passar tempo integral falando de seus filhos, deixem-nas. Se há mulheres que optaram por não ter filhos, deixem-nas também. O importante é que ambos os lados se respeitem.
    Eu, por exemplo, não tenho saco para papo de fraldas e mamadeiras, e quando estou numa festa e essa conversa começa a imperar na rodinha das mulheres, eu simplesmente pego meu copinho de uísque e vou me sentar junto aos homens. Simples assim.

  55. Raquel Cristina Galvão disse:

    Machismo e feminismo são produtos inferiores de mentes adoecidas. A guerra dos sexos é uma grande estupidez. Deus criou seres complementares (homem e mulher) com potenciais imensuráveis para o BEM. Margaret Thatcher – “A Dama de Ferro”. R.I.P.

    • Ariane disse:

      Li esse artigo, supostamente culto e fiquei pensando: “o que há de mais FEMININO, nesse mundo do que ser MÃE!?”…E com isso, por favor, não estou insultando ninguém como não feminina, por não ser mãe. Mas é muito chato ser insultada como NÃO FEMININA POR SER MAE! Cheguei a conclusão de que eu sou feminista, mas no sentido de que as mulheres merecem ser tratadas como mulheres, com dignidade e o respeito e os principalmente os mesmos direitos dados aos homens. Me parece que a luta feminista é mais um “machismo enrustido” do que uma luta, de fato pelas mulheres. As mulheres, para serem aceitas mundo a fora, precisam ser o mais parecidas com os homens o possível…elas precisam ser ferozes, extremamente competitivas, elas precisam vestir terninho, elas precisam ir para o bar e tomar cerveja da caneca, precisam disso e daquilo mais. Elas não podem ser aceitas, simplesmente como elas são. Elas precisam incorporar os traços de um homem, ocupar na sociedade os lugares de alguns homens. QUE DIACHO DE FEMINISMO é esse? Pois bem, eu sou feminista, mas tão feminista, que me recuso a abrir mão do que me foi dado como mulher para ser aceita nesse mundo. Eu sigo sendo tudo que eu posso ser, e quem achar que a maternidade me torna menos feminista, menos capaz, menos inteligente, menos interessante que se perca!Vejo muitas mulheres que são mães e mega poderosas em TUDO, absolutamente TUDO que fazem. A maternidade não é máscara para quem é menos mulher, nem para quem é mais mulher. É uma chance de ser melhor, é a essência do feminismo de verdade.

  56. carolina disse:

    “Não posso deixar de pensar que nossos pais jamais teriam suportado tênis que apitam ou conversas que giram inteiramente em torno de crianças.”

    Por que as coisas mudaram, não é mesmo? Vamos todos agir como há 40, 50, 60 anos atrás…

    ass: alguém que não suporta tênis que apitam ou conversas q giram em torno de crianças, mas que respeita quem gosta ou escolhe isso

  57. Vinícius disse:

    Minha foto no facebook, por muito tempo, era uma de meu filho fazendo careta comigo. Depois mudei pra foto de uma peça que apresento pra ajudar a divulgar – meu rosto está distante, escondido por um nariz de palhaço e maquiagem.

    Sempre que poso pra uma foto, não sou eu. É o meu rosto me sacaneando, se contorcendo e mostrando um cara que nunca quis ser. Meu trabalho como ator amador, minha paternidade, essas coisas, sim, são o eu que eu me alegro em ser.

    A verdade é que uma criança é mais interessante que um carro, que um jogo, que um aspirador de pó. Às vezes é até mais interessante que um livro ou uma dissertação. O que a gente sente pelos nossos entes queridos fala mais de nós que nosso rosto….

    Então, o que eu não entendo é por que não há mais homens e mulheres também que usam a foto de seus filhos, afilhados e sobrinhos. Por que não há mais gente se definindo por fotos da natureza, de seus hobbies ou profissões, e há tanta gente fazendo biquinho de pato várias vezes pra câmera, até acidentalmente acertar o ângulo, como se isso, a tentativa de agradar, e não o prazer em si, nos definisse.

    Imagine que sua amiga, na mesa de jantar, estivesse falando de um velhinho que ela conheceu numa viagem. De uma pessoa que conheceu no metro e virou sua amiga. Numa amiga que ela admira. Qual é o problema em se fascinar por uma pessoa, mesmo que ela não esteja transando conosco? Se apaixonar é ser domesticado? Então ser livre é o que? É ter calos? É se preocupar consigo?

    Se uma vitória política, como as vitórias do feminismo, nos afasta do que tem de mais gostoso na vida, sei lá. Seria irônico, pra dizer o mínimo.

  58. superwoman disse:

    Não sejam tão restritos, aproveitem o texto da autora, meio raivoso admito, para refletir, para fazer uma auto-análise. O maior desafio da mulher na atualidade é conciliar todos esses papéis que nós mesmas inventamos para nós. Ser mãe presente, profissional brilhante, esposa sexy, cuidar da casa, viajar, ir a exposições, passear com filhos e ter discussões intelectuais. Ufa! Não é fácil! Não estou falando especialmente de você, ou você, isso é em geral, quando analisamos a sociedade como um todo. Não se sinta o umbigo do universo e não considere suas experiências como padrão do mundo todo. O que a autora está falando é de uma tendência, de muitas mulheres se anularem em relação aos filhos. Isso é real. Nós sabemos, mas as vezes nem percebemos que somos assim. (ou não queremos perceber).
    Colocar os filhos acima de tudo não é bom para ninguém, nem para criança que fica sem limites, nem para os pais que ficam esgotados. Isso é tão real que o mercado mais lucrativo hoje é o mercado infantil. Além de brinquedo, temos roupa, teatrinho, fazendinha, natação, inglês … ufa! Que mais uma criança precisa? Uma parte importante do texto é uma questão que não estamos nos dando conta. Tratar as crianças como perfeitas, a coisa mais linda e inteligente do mundo, ou seja tratar como adultos. Enchê-los de cheios de atividades, passeios, curso disso, curso daquilo, pode fazer muito mal para a criança. Uma série de crianças está frequentando consultórios médicos e psiquiátricos muito mais cedo, por causa de ansiedade, insônia, distúrbios alimentares e etc. Dr. Freud hoje perceberia que o mal da humanidade não são mais os traumas por causa de pais severos e ausentes e sim do excesso de zelo e mimo.
    Ficou muito emblemático para mim uma conversa entre uma menina de uns 8 anos e a avó na banca de jornais. A vó pergunta se a menina não quer levar um livrinho para ler e a menina responde: ” Vovó, eu não tenho tempo para nada! Já tenho muita coisa para fazer!” Fiquem atentas supermães-meu filho é a coisa mais linda desse mundo!!
    Resumindo, o desafio é saber como nós mulheres poderemos conciliar nossos vários papéis na sociedade, sem ter que abrir mão de nada, sem criar monstrinhos. Será possível?

  59. Camila Edo disse:

    Criança precisa de carinho, atrnção e dedicação! Aula de inglês, viagens a Disney e brinquedos com valores exorbitantes são dispensáveis! Sou arquiteta, esposa e mãe, e nem um papel dos quais exerço na minha vida vai vir na frente ao fato de ser mãe. Foi uma escolha minha por duas vidas no mundo das quais sou responsável, junto com o meu marido, em educá-los!! E sim, cada etapa vencida por eles, o fato de ficarem mais independentes e com capacidade de escolhas, me faz sentir uma vitoriosa, é muito maior e melhor do que receber um aumento ou uma promoção!! E sim, só tive noção da dimensão do que é ser mãe, depois de colocar meus filhos no mundo!

  60. luisa disse:

    achei o texto machista. mulher ”bem-vestida”? me lembrou o discurso de homens (e infelizmente mulheres também) que dizem que tal mulher é feia ou bonita ou gostosa. agora mulher tem que ser OBRIGATORIAMENTE bem vestida? se não o quê? se não não é mulher? não é feminina?

  61. Paulo De Tarso disse:

    Nunca veremos alguém no leito de morte dizer: “deveria ter trabalhado mais…”, mas “deveria ter dito à minha esposa e filhos o quanto os amo”.

  62. Jalin disse:

    Eu criei meu perfil para um grupo de artesanato , inclusive uso foto de um artesanato >> e tenho várias amigas e amigos que tem fotos de cães , gatos , corujas no perfil , gostaria que fossem analisados para saber o que acontece com isso 😉

  63. Vera Príncipe disse:

    Não. Um simples gesto de se colocar a foto de filhos no perfil do face é muito pouco para significar tanto. Não acho que isso expresse uma “derrota do feminismo”, e sim a valorização de UMA das faces do Feminino. Inevitável e simples assim.

  64. Dória disse:

    Gente, que baboseira sem tamanho!!

  65. Túlio disse:

    Imagine-se ser mãe e nunca postar as fotos do seu filho no facebook e nem se identificar com eles… o que isto poderia significar? Oba! Já podemos “personalizar” os cartões de crédito com as fotografias que desejar!!!

  66. Fabiana Esteves disse:

    A DERROTA DO FEMINISMO NESTE TEXTO, que tal? Como se pode reduzir esse movimento de luta em uma foto de perfil no Facebook? Texto com alto teor de generalização e preconceito. Foto de perfil em rede social não representa necessariamente identidade de ninguém; Uma mulher pode estar produzida em sua foto no perfil da rede e ser submissa; O oposto também procede. Por que o ofício doméstico e a maternidade são tão inferiorizados no texto? Se ambos forem escolha da mulher, intelectualizada ou não, são legítimos. No mais, a autora torna o texto confuso ao misturar imagem da mulher na web com educação de filhos, uma coisa não se faz em função da outra.

  67. Girlene Baima disse:

    Concordo em muitos aspectos com a autora do texto. Acho que esse amor intrauterino é mito.Não tenho filhos, por opção, e vejo o quanto diversas amigas, após a maternidade, deixaram a vida pessoal de lado para se projetarem em suas crias.Acho entendiante rodas de conversa sobre fraldas e chupetas.Amo viajar, fotografar, viver livremente.Jamais me enquadraria no modelo de super mulher-mãe.Não quero que ninguém( a não ser EU mesma e o Sol ) passe a ser o centro e o controle da minha vida.

  68. Girlene Baima disse:

    Correção: ” ENTEDIANTE”.

  69. Margareth Brito disse:

    Texto interessante. Nunca fui e não me considero feminista mas traz uma importante reflexão: Talvez a maior realização dessas mulheres esteja realmente em ser mães, ou porque não se realizaram profissionalmente ou em outros setores da vida ou ainda porque valorizam a família mais do que tudo, o que se analisarmos é um perigo porque vivemos em um mundo onde famílias são desfeitas , separações existem e filhos são criados para o mundo não para nós. Nesse ponto concordo completamente e está aí mais um motivo para lutarmos por nossas realizações pessoais. 😀

  70. Ligia disse:

    Gente, vocês estão se esquecendo que nós, mulheres, e principalmente as mulheres que se auto-intitulam feministas, deveriam sempre defender o direito das outras mulheres serem o que elas escolhem ser. E se uma mulher tem o sonho de ser mãe e sua felicidade está no seu filho? Muitas vezes eu já fui xingada por ser casada e não ter o sonho de ser mãe, mas assim como eu mereço respeito pela minha decisão, tem gente que escolhe se doar para a família, é lá que está sua felicidade, e nós como mulheres temos o dever de amparar essa mulher como qualquer outra. Pelo menos é o que eu penso…. E se preocupar com foto de perfil é meio piração pra mim. Se eu quiser colocar a foto de um bode eu posso, mas do meu filho não. (?)

  71. Bruno Loura disse:

    Ridículo!

  72. Lucinha disse:

    Acontece que o assunto preferido das “solteiras bem-resolvidas” é, quase sempre, “homem”… e variações o mesmo assunto tipo, “devo ligar?”, “espero que me ligue?”, “que roupa vou usar no encontro?”, assim como os planos para encontrar “casualmente” aquele homem que é objeto de desejo.
    Afff… eu é que tenho que ter muita paciência com as minhas amigas solteiras bem-resolvidas que “precisam muito conversar” porque não sabem o que fazer com “essa tal liberdade”. Socialmente são vistas como “bem-resolvidas”, mas como sofrem…
    ps.: a foto do meu perfil é minha.

  73. raphael disse:

    sem duvidas o pior texto que já li na vida.

  74. Snaga disse:

    Li e achei absurdo. Concordei mais com o comentário do Euler e de uma mocinha chamada Amanda, que foram alguns dos primeiros a comentar aqui. Tem mulher que é mãe e se orgulha disso. Ela não está se anulando ao expôr o filho.
    Uma mulher que escreve uma tese de doutorado TALVEZ jamais tenha a capacidade de criar um filho. Bem como uma mulher que tem a capacidade de criar um filho, TALVEZ jamais consiga escrever uma tese de doutorado. Bem como uma mulher pode ser mãe E doutora ao mesmo tempo.
    Isso dito no texto é tratar as pessoas como iguais, nivelar todas as mulheres e achar que todas tem que agir iguais. Só porque uma mulher é feminista e quer mostrar ao mundo o quanto é independente e não precisa de homens e nem de filhos, não quer dizer que outras podem querer e necessitar do contrário.
    E o mesmo acontece com homens. Muito homem pode ser solteiro o resto da vida e se achar o realizado com isso, pois tinha metas profissionais e realizações pessoais que não envolvem família. No entanto, outros homens talvez prefiram se dedicar a família, ter filhos e esposa etc.
    Esses “istas” têm de aprender que ninguém é igual a ninguém.

  75. Carol Rocha disse:

    Fundamentalismo, polarização, rancor e uma série de idiossincrasias. Desnecessário perguntar se a escritora tem filhos (ou um coração amado, ou mesmo meramente ponderação). A escritora busca se vingar de suas frustrações polarizando e estereotipando brutalmente pessoas com diversos padrões e perfis de comportamento. Para piorar, nos oferece um texto apenas razoavelmente escrito… Oh lord…
    Bom, sou feminista mas nem por isto preciso ficar levantando a bandeira nem atacando qualquer atitude que sequer SOE diversa à minha escolha, o que, de fato, é absolutamente infantil. Segundo que, o DIREITO que a mulher tem de colocar um filho, doppelganger, cartoon, flor, animal ou OBJETO que o valha como imagem do perfil é um direito individual, e nada tem a ver com aquela ser a ÚNICA E ABSOLUTA IDENTIDADE DELA… É apenas uma manifestação ligada à sua LIBERDADE, inspiração, humor, situação, sentimento (saudade de alguém, uma causa etc) etc. Esta observação é patológica e muito radical, no meu pto de vista.
    A mulher não se anula com estas besteiras! Até porque o Facebook não é uma rede PROFISSIONAL, como o LinkedIn, onde, sim, deve-se colocar sua foto profissional, voltada unicamente para este fim. O Facebook é uma rede de contatos PESSOAIS, voltada para amigos… Pobre de quem lhe invade de desconhecidos ou lhe usa para fins profissionais. Esta confusão somente há de gerar mesmo confusão e atritos diversos…
    Gente… E quem tem tempo de viver exclusivamente para os filhos, como ela deduz? Vejo muito mais pais vivendo sua vida e se esquecendo de dar atenção aos filhos do que o contrário! Haja vista o número de babás e berçários que temos na atualidade, exatamente para suprir esta lacuna da presença dos pais. E, na verdade, as mamães antenadas que têm se formado nesta geração buscam uma forma de “attachment parenting” justamente pq o mundo está muito automatizado e não costumamos nos dedicar a estar perto dos filhos como deveríamos, tampouco como nossos pais se dedicaram, ou melhor, nossas mães; até porque, hoje se tem mais conhecimento do que é melhor para a educação dos filhos. E isto, EM NADA TEM A VER COM O FEMINISMO! Isto não anula a mulher, que deve seguir seus instintos e sentimentos…
    Por este texto, teríamos que ignorar nossos filhos e deixá-los a cargo das escolas (!), nos exibir mais (um contrassenso ao feminismo! Parafraseando-a “mães atraentes”, ha), nos ajoelhar ao túmulo de Betty Friedan com bandeiras feministas e dar uma banana para o futuro dos jovens que estão aí!!! Pois ela ainda se esqueceu que serão eles que guiarão o nosso futuro.
    Quanta ignorância e prepotência. Kaithe Roiphe, quanta INFELICIDADE!
    E vc, Paulo Roberto Pires, que vergonha, hein? Eu jamais traduziria um texto tão autárquico e oligofrênico.
    Que venham os bons textos…

  76. Carol disse:

    Não tenho filhos. E achei muito idiota esse texto. Concordo com a opinião do Euler Martins Lage. Se as feministas dizem lutar pela liberdade e igualdade, elas também devem respeitar as escolhas de cada mulher, independente de suas convicções. Uma mulher que escolhe ser dona de casa, cuidar dos filhos e do marido, não significa que não cuide também de si mesma e que receba esse mesmo cuidado de seu marido. Nem todos os homens e mulheres são como as feministas insistem pensar. Colocar a foto do filho no facebook agora significa que ela está anulando sua identidade de mulher? Pelo amor de Deus! Ela apenas está mostrando o quanto se sente feliz por ser mãe e gosta de abrir o face e ver fotos que a deixa feliz. Agora o feminismo quer determinar que fotos e lembranças as mulheres devem expor no seu perfil. Todas tem uma escolha e terão que abrir mão de alguma coisa, assumir as responsabilidades que escolherão para sua vida. Acredito que o feminismo de hoje está ainda mais distorcido do que antes. Essa ideia de opressão é tão manipuladora. Generalizam os homens, como se eles fossem sempre vilões e as mulheres sempre as vítimas. E essa análise sobre as mulheres que colocam fotos de seus filhos em seus respectivos perfis é mais um exemplo de como o feminismo quer ditar regras e impor o estilo de vida que acreditam ser ideal pra todas as mulheres, quando “fingem” lutar pela liberdade e igualdade. Ignoram a liberdade de escolha, principalmente a de que muitas mulheres não querem ser como elas e nem se importam com o que elas pensam.

  77. Priscila Sacchettin disse:

    Drumundana

    e agora maria?


    o amor acabou

    a filha casou

    o filho mudou

    teu homem foi pra vida

    que tudo cria

    a fantasia

    que você sonhou

    apagou

    à luz do dia



    e agora maria?

    vai com as outras

    vai viver

    com a hipocondria

    (Alice Ruiz)

  78. dai disse:

    Grande parte dos comentários das “mães feministas” só corroboram com o que a autora diz no texto. Também vejo inúmeras amigas inteligentes e independentes se transformando num apêndice de seus filhos. E, pior, sem se dar conta. Tenho certeza que elas reagiriam com indignação e nenhuma auto-crítica se eu apontasse tal tendência. Adotar a maternidade como função é um dos novos velhos jeito de ser mulher aceita e admirada hoje em dia.

  79. Thais Drimel Andrade disse:

    Engraçado dizerem que não estão julgando ninguém neste texto, pois praticamente taxaram qualquer mulher que coloca foto dos filhos no perfil de machista, desinsteressante e afins….
    mas ao mesmo tempo estão sugerindo que as mulheres deveriam colocar fotos suas, maquiadas, bonitas. Ahn, como assim?
    Então você se expor como mãe é pecado, mas colocar a si própria como mercadoria, como mais uma periguete vendendo sua imagem de gostosa é o que é esperado de uma feminista? Ah, claro, afinal o facebook só serve para as mulheres feministas procurarem um macho para sexo, será?

    Ah sim, e pela lógica do texto e comentários, não há engenheiras, médicas, cientistas, biólogas, que tenham filhos e gostem deles, né? (por que vocês só deram exemplos de profissões tidas como predominantemente masculinas, as outras profissões são menos importantes? então citem açougueira, mineira, estivadora, coveira, bombeira, eletricista, pescadora, gari, etc. Por acaso uma professora é menos importante que uma engenheira civil? vocês tem certeza disso?)
    para se ter carreira e sucesso é preciso abrir mão da maternidade? ou para ser feminista e mãe é preciso cortar qualquer laço afetivo e “trabalho” com os filhxs?
    Então assumam que o que boa parte dessas feministas radicais queria era ter nascido com um pinto no lugar de uma vagina, e deixem as mulheres que se aceitam como mulheres em paz.

  80. Livia de Paiva disse:

    Texto muito bem escrito, boas afirmações e opiniões válidas. Me perdeu apenas na parte em que coloca que as mães, além de bem informadas, independentes, etc, tem que ser bem-vestidas. Foi um resquício de machismo na sua visão de mundo já esclarecida em diversos aspectos. Por que bem vestidas? pra quem? Por que? Isso também é ter que passar pro mundo uma imagem, também é um aspecto narcísico, tanto quanto uma foto de facebook. Nos livremos disso também e talvez Betty Friedan descansará em paz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *