Antologia serrote

Antologia serrote

Para marcar os 10 anos da serrote, o IMS lança em novembro o livro Doze ensaios sobre o ensaio, que reúne autores brasileiros e estrangeiros publicados na revista, como György Lukács, William Hazlitt, César Aira, Lucia Miguel Pereira e Alexandre Eulalio

Compre o livro na Loja do IMS

Lançada em 2009, a revista de ensaios do Instituto Moreira Salles chega à 30ª edição em novembro de 2018. Junto com a serrote 30, o IMS lança o livro Doze ensaios sobre o ensaio: antologia serrote. Organizada pelo editor da serrote, Paulo Roberto Pires, a antologia reúne 12 autores clássicos e contemporâneos, como o argentino César Aira, o húngaro György Lukács, o americano John Jeremiah Sullivan e os brasileiros Lucia Miguel Pereira e Alexandre Eulalio, publicados na revista desde os seus primeiros números.

O livro é dividido em cinco partes: Conceitos, À Inglesa, Teoria, Latitudes e Variações. A seção Conceitos apresenta ensaios do suíço Jean Starobinski (1920) e do americano John Jeremiah Sullivan (1974). Formado em psiquiatria e literatura, Starobinski investiga, em “É possível definir o ensaio?”, as etimologias e as origens do gênero, marcado pela tensão entre o geral e o particular. Já em “Essai, essay, ensaio”, Sullivan, autor do premiado livro Pulphead, explica por que se considera que os franceses inventaram o ensaio, e os ingleses, o ensaísmo.

A seção seguinte, À Inglesa, começa com um texto da brasileira Lucia Miguel Pereira (1901-1959), “Sobre os ensaístas ingleses”, em que a autora defende que a Inglaterra foi o país onde o gênero melhor floresceu. Em seguida, o britânico William Hazlitt (1778-1830) reflete sobre a sua produção e a de seus contemporâneos, em “Sobre os ensaístas de periódico”, clássico publicado pela primeira vez em português na revista.

No eixo Teoria, o leitor encontra dois textos de referência sobre o assunto. Um dos grandes teóricos do marxismo, o húngaro György Lukács (1885-1971) comparece com ”Sobre a essência e a forma do ensaio”. Já o filósofo alemão Max Bense (1910-1990) defende que o gênero “é uma peça de realidade em prosa que não perde de vista a poesia”, no texto “O ensaio e sua prosa”, que permaneceu, por mais de seis décadas, inédito no Brasil.

A seção Latitudes traz três textos. Em “Nossa América é um ensaio”, o colombiano Germán Arciniegas (1900-1999) associa o gênero à história do continente e à descoberta do Novo Mundo, que abalou as certezas de até então. Em “O ensaio literário no Brasil”, Alexandre Eulalio (1932-1988) apresenta um panorama da recepção do gênero no país ao longo de 200 anos. A produção do próprio Eulalio é abordada no texto seguinte, “Viagem à roda de uma dedicatória”, assinado pelo editor da serrote, Paulo Roberto Pires (1967).

A última seção, Variações, reúne três escritores contemporâneos. Em “Retrato do ensaio como corpo de mulher”, a americana Cynthia Ozick (1928) defende que um verdadeiro ensaio “não serve a propósitos educativos, políticos ou sociopolíticos: é o movimento de uma mente livre quando brinca”. Christy Wampole (1977), professora de Princeton, cria uma analogia entre a figura do ensaísta e a do DJ. Um dos principais nomes da literatura contemporânea, o argentino César Aira (1949) defende, em “O ensaio e seu tema”, que a escrita ensaística é o lugar de união de saberes distintos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *