Como viver sem ironia – por Christy Wampole

Como viver sem ironia — por Christy Wampole

Se a ironia é o éthos de nossa época – e ela de fato é –, então o hipster é o nosso arquétipo do estilo de vida irônico.

O hipster assombra todas as ruas da cidade e cidades universitárias. Manifestando uma nostalgia por épocas que ele mesmo jamais viveu, esse arlequim contemporâneo se apropria do que há de mais ultrapassado no que diz respeito à moda (bigodes, shorts minúsculos), quinquilharias (bicicletas de marcha única, toca-discos portáteis) e hobbies (produção artesanal de bebidas, tocar trombone). Ele cultiva a esquisitice e o constrangimento e passa por várias etapas de autoavaliação antes mesmo de tomar qualquer decisão. O hipster é um pesquisador das formas sociais, um estudioso do que é cool. Ele estuda implacavelmente, escavando em busca daquilo que não foi ainda descoberto pelo público geral. Uma citação ambulante, suas roupas referem-se a algo muito além de si próprias. Ele tenta negociar o antigo problema da individualidade, não por meio de conceitos, mas a partir de coisas materiais.

É um alvo fácil para piadas. No entanto, rir do hipster é só uma forma diluída de sua própria aflição. Ele não é mais que um sintoma e uma das manifestações mais extremas do estilo de vida irônico. Para muitos americanos nascidos nas décadas de 1980 e 1990 – membros da Geração Y –, caucasianos de classe média em particular, a ironia é o modo primário para se lidar com a vida. Basta habitar um espaço público, virtual ou concreto, para ver o quanto esse fenômeno se encontra disseminado. A publicidade, a política, a moda, a televisão: quase todas as categorias da realidade contemporânea exibem essa vontade de ironia.

Tomemos como exemplo uma propaganda que se anuncia como propaganda, faz piada com o próprio formato e tenta atrair seu público-alvo para rir dela e com ela. Ela já reconhece, preventivamente, o próprio fracasso em produzir algo com sentido. Nenhum ataque pode ser feito contra ela, pois ela própria já se mostrou vencida. O molde irônico funciona como um escudo contra a crítica. O mesmo vale para o estilo de vida irônico. A ironia é o modo mais autodefensivo que existe, pois permite que a pessoa evite a responsabilidade das suas escolhas, estéticas ou não. Viver ironicamente é esconder-se em público. É uma forma, flagrantemente indireta, de subterfúgio – que significa etimologicamente “fugir em segredo” (subter + fúgio). De algum modo, tornou-se insuportável, para nós, lidar com as coisas de maneira direta.

Como isso aconteceu? Em parte, a situação deriva da crença de que essa geração tem pouco a oferecer em termos de cultura, de que tudo já foi feito, ou de que um compromisso sério com qualquer crença acabará substituído por uma crença oposta – de maneira que o compromisso inicial vire risível, na melhor das hipóteses, ou desprezível, na pior. Esse estilo de vida irônico funciona como uma desistência preventiva e assume a forma de reação, em vez de ação.

A vida na era da internet sem dúvida colaborou para que uma sensibilidade irônica florescesse. Nesse meio, um éthos pode ser disseminado de modo rápido e amplo. Nossa incapacidade de lidar com o que temos à mão é evidente em nosso uso de tecnologia digital e em nossa dependência cada vez maior dela. Ao priorizarmos o remoto em vez do imediato, o virtual sobre o real, somos absorvidos nas esferas pública e privada por aparelhinhos que nos levam a outros lugares.

Além disso, os ciclos de nostalgia tornaram-se tão curtos que tentamos até mesmo injetar o momento presente com sentimentalismo quando usamos, por exemplo, certos filtros digitais para deixar as fotos com um aspecto “apagado”, uma aura de historicidade. A nostalgia exige tempo. Não se pode acelerar o processo que dá sentido às lembranças.

Embora tenhamos adquirido novas habilidades (lidar com mais de uma tarefa ao mesmo tempo, conhecimento tecnológico), elas vieram às custas de outras habilidades: a arte da conversação, a arte de olhar para as pessoas, a arte de ser visto, a arte de estar presente. Nossa conduta não é mais governada pela sutileza, finesse, graça e atenção, todas essas qualidades que as décadas passadas prezavam mais que agora. Predominam, no momento, a introversão e o narcisismo.

Nasci em 1977, no final da Geração X, e tornei-me adulta nos anos 1990, uma década que, perfeitamente encaixada entre duas ruínas arquitetônicas – do Muro de Berlim em 1989 e das Torres Gêmeas em 2001 – parece agora ser relativamente sem ironia. O movimento grunge falava sério quanto à sua estética e atitude, com uma postura hostil à autoridade, semelhante à do movimento punk. Em minhas lembranças, que talvez sejam nostálgicas demais, o feminismo chegava a um ápice sem precedentes, as preocupações do ambientalismo ganhavam atenção mundial, e as questões de raça agora eram tratadas de modo mais aberto: todos esses movimentos continham em si as mesmas eletricidade e euforia que tocam as gerações quando testemunham uma mudança secular ou milenar.

Mas o ano 2000 veio e partiu sem nenhum desastre. Tínhamos esperança durante a década de 1990, mas a esperança é uma emoção muito vulnerável; precisávamos de um mecanismo de autodefesa, algo que toda geração tem. Para a Geração X, esse mecanismo assumia a forma de uma apatia diligente, o esforço ativo de não dar a mínima. Nosso arquétipo era o vagabundo que passava pela vida com preguiça, vestido de roupas de flanela, sozinho e incompreendido em seu quarto. E, quando nos entediávamos com a apatia, sentíamos uma raiva ou melancolia vaga, comendo antidepressivos como se fossem doces.

A partir desse ponto privilegiado de referência, um grupinho irônico parece ser confortável demais, desmiolado demais e complacente demais. O estilo de vida irônico é um problema de primeiro mundo. Para quem tem uma formação relativamente boa e segurança financeira, a ironia funciona como um tipo de cartão de crédito cuja conta nunca precisa ser paga. Em outras palavras, o hipster pode fazer investimentos frívolos em falso capital social sem precisar pagar de volta um único centavo sincero. Ele não é dono de nada do que possui.

É óbvio que os e as hipsters produzem uma irritação distinta em mim, uma que, até muito recentemente, eu não sabia explicar. Eles me provocam, porque são, como vim a perceber, uma versão amplificada de mim, apesar da distância com que os observo.

Eu também exibo tendências irônicas. Uma das dificuldades que tenho, por exemplo, é a de dar presentes sinceros. Em vez disso, dou o que no passado só seria aceito em “inimigos secretos”: uma pintura kitsch de alguma lojinha, uma caneca de café com imagens espalhafatosas do Texas, bonecos de plástico de luchadores mexicanos. Presentes bons para dar risada na hora, mas que valem pouco a longo prazo. Existe algo na responsabilidade de escolher um presente pessoal e significativo para um amigo que faz com que esse ato seja íntimo demais, importante demais. De certo modo, não consigo suportar a possibilidade de que um amigo não goste de um presente que eu tenha escolhido com sinceridade. O simples ato de perceber esse meu comportamento autodefensivo me fez pensar profundamente sobre o quanto esse posicionamento irônico podia ser potencialmente tóxico.

Em primeiro lugar, ele marca uma aversão profunda ao risco. Como resultado do medo e da vergonha preventiva, a vida irônica revela um amortecimento, uma resignação e uma derrota culturais. Se a vida tornou-se um mero apanhado de objetos kitsch, uma série infinita de piadas sarcásticas e referências à cultura pop, uma competição para ver quem consegue ser mais apático (ou, pelo menos, um espetáculo dessa competição), parece que, coletivamente, demos um passo em falso. Será que essa é a causa de nosso vazio e mal-estar existenciais? Ou seria um sintoma?

Ao longo da história, a ironia já serviu a propósitos úteis, como fornecer uma vazão retórica a tensões sociais de que não se falava. Mas nosso modo irônico contemporâneo é, de algum modo, mais profundo; ele já vazou do reino da retórica para o da própria vida. O éthos irônico pode levar a uma vacuidade e uma insipidez da psique individual e coletiva. Historicamente, os vácuos acabam preenchidos por alguma coisa – e, com muita frequência, alguma coisa perigosa. Fundamentalistas nunca são irônicos; ditadores nunca são irônicos; as pessoas que mexem com coisas na esfera política, independentemente dos lados que escolhem, nunca são irônicas.

Onde podemos encontrar exemplos da vida não irônica? Como ela é? Modelos não irônicos incluem crianças muito novas, pessoas de mais idade, pessoas muito religiosas, pessoas com sérias deficiências físicas ou mentais, pessoas que sofreram, e as que moram em lugares econômica ou politicamente complicados, onde a seriedade é o estado de espírito governante. Meu amigo Robert Pogue Harrison, numa conversa recente que tivemos, falou desse modo: “Sempre que o real se impõe, ele tende a dissipar a neblina da ironia”.

Observe uma criança de quatro anos de idade em sua vida cotidiana. Você não verá a menor indicação de ironia em seu comportamento. Ela ainda não assumiu, por assim dizer, o véu da ironia. Ela gosta do que gosta e declara seus gostos sem dissimulação. Não está particularmente consciente dos juízos dos outros. Não se esconde por trás de uma linguagem indireta. Os modelos mais puros da vida não irônica, no entanto, encontram-se na natureza: os animais e plantas são isentos de ironia, que existe somente onde habita o humano.

O que significaria vencer o empuxo cultural da ironia? Afastar-se do irônico representa dizer o que se pensa, pensar o que se diz e considerar a seriedade e a declaração direta como possibilidades expressivas, apesar dos riscos inerentes. Significa assumir o cultivo da sinceridade, da humildade e do autoapagamento, rebaixando o frívolo e o kitsch em nossa escala coletiva de valores. E pode incluir também fazer um inventário honesto de si próprio.

Começa assim: dê uma olhada ao seu redor, em casa. Você se vê cercado de coisas de que gosta mesmo ou coisas de que gosta só porque são absurdas? Ouça o que você diz. Pergunte a si mesmo: Eu me comunico essencialmente por piadas internas e referências à cultura pop? Que porcentagem das coisas que falo tem sentido? O quanto me valho de linguagem hiperbólica? Eu me faço de indiferente? Olhe suas roupas. Quanto do seu guarda-roupa poderia ser descrito como peças de fantasia, derivativas ou reminiscentes de algum arquétipo de estilo específico (a secretária, o mendigo, a coquette, ou você quando era criança)? Em outras palavras, suas roupas fazem referência a alguma outra coisa, ou só a si próprias? Você tenta deliberadamente parecer nerd, estranho ou feio? Em outras palavras, o seu estilo é um antiestilo? A pergunta mais importante: como você se sentiria se sofresse uma mudança interna, em silêncio, off-line e sem que os outros vissem?

Ao longo das últimas décadas, vimos algumas tentativas de banir a ironia. Os movimentos, nas artes, do que é definido de modo frouxo como Nova Sinceridade vêm brotando desde que os anos 1980 se posicionaram como uma resposta ao cinismo, ao afastamento e à meta-referencialidade do pós-moderno (a Nova Sinceridade vem sendo associada recentemente aos livros de David Foster Wallace, aos filmes de Wes Anderson e à música de Cat Power). Mas nenhuma dessas tentativas vingou, como comprova a nova era da Ironia Profunda.

O que as futuras gerações farão com esse sarcasmo feroz e com o cultivo descarado da besteira? Será que ficaremos satisfeitos em deixar um arquivo cheio de vídeos de pessoas fazendo coisas idiotas? Será que um legado irônico é, de fato, um legado?

Com certeza, a vida irônica é uma resposta provisória aos problemas do excesso de conforto, do excesso de história e do excesso de opções, mas minha convicção firme é a de que esse estilo de vida não é viável, e oculta em si muitos riscos sociais e políticos. Deixar que um amplo segmento da população anule sua voz cívica, por meio do padrão de negação que descrevi, é sugar as reservas culturais da comunidade como um todo. As pessoas podem escolher continuar a se esconder atrás do véu da ironia, mas essa escolha significa render-se às entidades comerciais e políticas que ficarão mais que satisfeitas em assumir o papel de pais para cidadãos autoinfantilizados. Por isso, em vez de rir do hipster – um hobbie favorito, especialmente entre os hipsters –, tente determinar se as cinzas da ironia não se assentaram sobre você também. É preciso algum esforço para espaná-las.

 

Tradução de Adriano Scandolara

Christy Wampole é professora-assistente de língua francesa na Princeton University. Sua pesquisa tem como principal foco a literatura e o pensamento francês e italiano dos séculos 20 e 21. “How to Live Without Irony” foi publicado originalmente no blog Opinator, do The New York Times, dia 27 de novembro de 2012 (opinionator.blogs.nytimes.com/2012/11/17/how-to-live-without-irony).

* As imagens deste post foram retiradas do site Look at this fucking hipster e Halloween or Williamsburg.

  • Resumidor

    Resumo: “Minha geração era melhor”

  • raimon

    Jamais vi um texto tão fascista quanto esse. E isso não é ironia.

    • Miguel

      Fascismo?!?!?!

    • Fernando

      Fascismo?

    • Sta N.

      Fascismo?!

    • Diogo

      Defina fascista.

    • Fascismo?

    • Daniel

      É, não é ironia. Seria dificuldade de leitura?

    • Antonio

      Concordo absolutamente contigo. É um texto que além de não ter nada a ver com os reais problemas do mundo (se aplica a uma parcela muito pequena dos estadunidenses) demoniza uma subcultura tão inofensiva quanto os góticos ou os rockabillies também demoniza um recurso inteligente como a própria ironia. Na boa, dona Wampole, você é uma idiota.

      • Wittgenstein

        Você não sabe ler

        • Pedro Brasil

          O texto não precisa falar de problemas “sérios” do mundo, porque se próprio estilo de vida relativamente comum já alimenta esses problemas. O texto é genial, porque fala de “tipos” altamente patéticos e desnecessarios, que contribuem pra caralho com a bunda-molice e falta de “fogo” no mundo, e também para as minhas risadas. Sim, eu costumo destruir irônicos por diversão, sabe… revelar a carta na manga..mas isso não vem ao caso.

          A ironia é um recurso inteligente? Aparentemente, mas é só um remendo e definitivamente … corta sua personalidade em vários pedaços, te fazendo ser uma critura banal, nula … um coadjuvante bobalhão infantilóide … que cultua coisas para os outros, e em contraste com isso, mergulha em si mesmo. Afinal, é “legal” ser esse tipo de pessoa, justamente porque tira voce do jogo, do fogo da batalha contra seus medos, desejos, interação social real e principalmente, te joga longe da sua própria verdade.

          Cartas brancas. Pff…próximos

          • rafafoa

            Cara, nem ia comentar nada, mas depois de ler esse teu comentário, me sinto de alma lavada. Sou contra qualquer “desdobro paia” como dizem aqui na minha terra, ou seja, discurso ou retórica patética e encobridora dos problemas ou atitudes (ou falta delas, que ironia), que a própria pessoa teria de assumir ou enfrentar para resolver.

    • Boa.

  • Bruno

    Ótimo texto.

  • Jeff Clause

    Não é relevante um discurso que aponta outro como fascista e não extrai dados concretos do texto que corroborem suas assertivas. Isso também não foi uma ironia, Raimon. Não ficou patente tal perspectiva fascista no texto. Ou você tem problemas de interpretação textual ou você desconhece ridiculamente o que é a ideologia fascista.

  • Gabs

    Um texto que é a mais perfeita descrição do seu autor: “pensamento francês do século XX”. Querer rotular uma geração em transição é bobagem, tempo perdido. Porém, alguém tem que o fazê-lo. E cá está. Um apanhado de generalizações que descreve não apenas uma geração, mas tenta, o tempo todo evidenciar as virtudes das anteriores.

    Típico sinais do tempo, da instransigência e, sobretudo, da inteligência que não evolui. Que para no tempo e acaba tornando potenciais autores em velhos reclamões comuns, iguais à minha avó. Só que com um repertório de palavras maior. Apenas.

    • Quem reclama dos velhos de hoje, será o reclamão dos jovens de amanhã. O texto tem argumentos muito bons, exceto para quem se identifica com mais de 80% de seus alvos.

    • Antonio

      concordo. É o típico tiozão falando sobre internet. Igualzinho os textos babacas de coluna da Folha de S. Paulo

    • Wittgenstein

      Você lê mal.

  • Aline

    Excelente!

  • Ralph

    Gostei de trechos do texto, concordo com estes, mas discordos de outros trechos, pois os vi autoreferidos e com alguns problemas de autoconceituação – um simples questionamento sobre o que “tem valor” de fato colocaria alguns parágrafos por terra (e acredito que foi esse o propósito, o de se posicionar sob um prisma mais pessoal que acadêmico).

    Também é fato inconteste que apenas com certo distanciamento histórico podemos avaliar os efeitos e consequências concretos de determinada geração.

    Sob muitos aspectos acho que a geração y apenas obedece o que chamamos de “necessidade comunitária” por “alívios cômicos”, busca, sem pretensões, o questionamento sobre o essencialismo.

    Concordo que possui características fortemente narcisistas, mas isso não se trata de um fenômeno novo e nem vejo, sendo bem honesto, demérito nisso. O que talvez eu enxergue como algo prejudicial é o fato de existir pouco questionamento sobre si, ou ao menos a ausência de comunicação real.

    O dizer de si mesmo, o explanar o que sente e gosta está subliminar, é como se demandasse do outro um esforço em vasculhar, caso se interesse.

    Ao mesmo tempo me parece um pedido de “socorro”, já que pertencem a uma camada privilegiada onde tudo lhe é dado sem muito esforço, como se o sufocamento dos excessos os conduzissem pelo universo dos prazeres fáceis e não pensados. Não é uma força senão massacrante, pois enxergam que tudo é maior e ao mesmo tempo se vêem insignificantes no processo, como se tivessem suas forças exauridas antes mesmo do ativo esforço.

    Se pensa sobre essa geração, de uma forma generalizada, como a inconsciente sobre tudo, eu diria que é a que tem justa oposição, a extrema consciência de muito e, talvez por isso, confrontadas com tantos desafios, tenham dificuldades de sair do plano teórico e de si mesmas.

    Também vejo nela fortes movimentos sociais, em prol da eliminação das fronteiras, num campo obviamente muito acima do que de fato podem agir. Aumento da consciência de que as diferenças intraregionais e intrapaíses também não sejam tão grandes quanto se supunha – em especial a partir da classe média – e talvez a morte de “determinadas idealizações” típicas, no caso do Brasil, do que seriam os países estrangeiros..

    Mas enfim, análise completa, só daqui há algumas décadas!^^.

    Se dizia que a década de 80 seria a perdida, no caso do Brasil…e não tem erro analítico mais estúpido que esse.

    • Ana

      Excelente explanação. Concordo com os tópicos apontados pelo Ralph, que me soaram muito mais esclarecedores do que os da própria autora em determinados momentos.

  • Emy

    Entendo que algumas pessoas tenham ponto de vista diferente.
    Mas faz tanto sentido para mim!
    Poderia mandar esse texto a um punhado de pessoas…
    Descreveu perfeitamente a realidade que eu vejo/ vivo.

  • Danilo Machado

    Ironia é alguém perder seu precioso tempo pra falar que a galera que faz isso tá errada e que tem que mudar.
    Me lembrou o início dos 00′ quando era legal falar mal dos emos etc… Bom mesmo é falar mal de tudo, de cima de um pedestal da superioridade intelectual de quem já “amadureceu” mas se sente ameaçado pelas mudanças. Normal.

  • fiquei com a sensação que a autora coloca em contraponto aos irônicos um grupo de pessoas que poderia ser chamado de autênticos, esses indivíduos dotados de “sutileza, finesse e graça” que “estão presentes”. Mas quem diz que essa posição também não é um tipo de subterfúgio? Essa discussão de quem é “TRU” e quem não é realmente cheira mto a 1990. Não creio que a apatia seja uma exclusividade hipster. Acho que é algo muito mas sombrio do que a autora propõe. E a resposta pra pergunta proposta no título do artigo passa longe de guarda-roupas e lojas de quinquilharias.

  • André Nunes

    Eu não vejo nada mais do que fragilidade. E sinceramente pouco conhecia desse comportamento. Acho também que pouco representa à esfera da junventude atual, pelo menos onde me localizo. Ainda que esteja errado já diziam dois grandes cantores que admiro bastante:
    “Se todo excesso fosse visto como fraqueza e não como insulto, já me tirava do sufoco.” e “O medo da origem ao mal. O homem coletivo sente a necessidade de lutar.”

  • Julinha

    que texto mais agressivo e estúpido.

  • cristina

    este brilhante relato desta *esquisita geração, me faz reconhecer que tenho vergonhada de ser um ser humano e por vezes, ter dúvidas , se deveria ter gerado mais um… pode?

  • Pedro Gaspa

    Muito bom

  • Victor

    “Os modelos mais puros da vida não irônica, no entanto, encontram-se na natureza: os animais e plantas são isentos de ironia”, e isentos de razão, minha senhora, tal qual este texto, que não passa de um amontoado de tolices. E vale dizer, com Aristóteles, “o homem é o único animal que ri.” Fora a pobreza na qual a Ironia é encarcerada, desprovida de toda força, mesmo levando em conta o caráter frequentemente moralista dela, é forçadamente encerrada num comportamento de grupo, ou mesmo numa geração, que, a meu ver, não surge tão irônico assim.
    As proposições surgem como dogmas, certezas de um reto padrão a ser positivamente desenvolvido. E nessa quixotesca caminhada em prol do discurso da adequação, o texto acaba caindo em buracos de profunda escuridão: “Em outras palavras, suas roupas fazem referência a alguma outra coisa, ou só a si próprias?”, como se houvesse uma autoreferencialidade pura da calça, a roupa Deus que está em si e para si, fora do tempo, da contingência e de qualquer sistema dito cultural.
    O papo é longo, e também furado; fazendo lembrar a brilhante discussão entre Panúrgio e o sábio inglês. Mas, se posso escolher, prefiro agora a rede bordada e esticada, convidando ao suspiro: “aí, que preguiça!”

  • luiza

    kkkk
    eu gostaria de saber de onde ela tirou que a onda do wes anderson e da cat power não vingou…
    aiai, sempre vem um reacionário falaciar por todos.
    ta louca pra por uma bandana. essa gatinha ta precisando desabafar com os amigos não escrever um texto sobre uma geração em desenvolvimento.

  • Bruna

    Cara amiga, só de levar-se a sério ninguém sobrevive. Acho que é preciso compreender que não há só um fator dentro da ironia. Há fragilidade (como dito no texto), há um pouco de não-tô-nem-aí, claro, mas há também um pouco de leveza, de sair da flanela dos 90 e cair um pouco no ridículo nos 2000, o que é super-recomendado inclusive em tratamentos terápicos. E, sinceramente, acho que você está descrevendo mais uma atitude blasé, que é inclusive estudada em sociologia, sobre como o homem moderno desenvolveu uma atitude de desinteresse pelo mundo apenas para proteger-se, para se salvaguardar da miséria, do sofrimento alheio e de outras dores. É menos um comportamento de geração e mais um problema de estilo atual de vida, que muitos praticam.

  • Hahahaha… Que isso? Os Hipsters sao muito bacanas, e estao ligados nas novidades tao quanto os outros movimentos de outras geracoes, e um ponto positivo e que eles nao tem vergonha de ser cultos e buscar conhecimento, bem diferente de algumas das geracoes anteriores. Mais um ponto positivo e mesmo buscando os artistas e bandas que ninguem conhece ainda eles sabem apreciar o antigo que significa parar com esta historia de substituir coisas e sim somar experiencias e conhecimento. ▲ HIPSTER IT ON ▲

  • Gabriela Mh

    Estereótipos não fazem um texto ser bom, aliás a escrita está ótima, porém não se tem realmente um contexto bom, a explicação sobre o que é um hipster não se caracteriza nada ao verdadeiro ser.

  • Tiaraju Mesquita

    Vale pelo diagnóstico e pela perspectiva.
    As visões apresentadas no texto e nos comentários não são excludentes.
    Embora não seja regra absoluta, isso tem ocorrido: “…embora tenhamos adquirido novas habilidades (lidar com mais de uma tarefa ao mesmo tempo, conhecimento tecnológico), elas vieram às custas de outras habilidades: a arte da conversação, a arte de olhar para as pessoas, a arte de ser visto, a arte de estar presente. Nossa conduta não é mais governada pela sutileza, finesse, graça e atenção, todas essas qualidades que as décadas passadas prezavam mais que agora. Predominam, no momento, a introversão e o narcisismo.”
    No mínimo, é provocador e convida a reflexão.

  • Pro Challenger

    Texto altamente normatizador, saudosista de determinada abstração chama de “cultura do meu tempo” e com relações causais muito fracas como “ethos irônico, logo, vida incipiente”.

    Uma profunda esperança na pressuposição da racionalidade (séria como deve ser) frente as inúmeras possibilidades de si – no qual se inclui a ironia.

    Kantismo mofado e desinteressante dessa autora.

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  • Gostei muito da reflexão sobre a ironia e a não atitude que em muitos casos ela gera. Cruzar os braços sempre foi mais fácil.

    Mas li também em outro texto algo sobre a maneira “fora da moda de se vestir”. Na minha opinião, a ditadura da moda é a maior balela que já existiu. Se tem um estílo mais horrível de ser ver, para mim, é a patética tentativa de “estar” sempre na moda. Isso não tem nada a ver com ser hippster, penso que é mais uma questão de esclarecimento intelectual.

    Outro fenômeno menosprezado é o “nostalgia do que não se viveu”. Talvez não seja nostalgia. Acontece que muito desse material audiovisual ainda está aí, então lhe pergunto, ver um filme é vivê-lo? No aspécto de artístico, com certeza sim! Assim como qualquer outra experiência artística. Então, quem busca antigas referências também as vive em seus vestígios.

    Há muitas tecnologias analógicas que estão sumindo pela ditadura do captalismo. Inúmeras delas são mais eficientes sob todos os pontos de vista, iclusive o ambiental.

    Eu adorei a reflexão, mas acho que derrapou em alguns pontos.

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  • Lucas

    Uma tempestade em copo d’água. Além de ser ridículo pensar que antes do smartphone as pessoas eram simpáticas e sorridentes umas com as outras sem motivo nenhum como se o mundo fosse um comercial de margarina, ela ainda coloca o grunge, um monte de moleque com carinha triste e roupa suja, num pedestal político-cultural como se fossem os bastiões de uma geração.

  • Amanda